Da mesma forma, é pela HUMILDADE que vencemos o diabo e tornamos fracas todas suas obras.
A alma que se põe em caminhada rumo ao céu encontrará diante de si diversas barreiras. Precisará superar diversas adversidades, tanto externas quanto internas para alcançar a tão sonhada meta: o céu. Este estudo tem o ensejo de trazer luz aos olhos, aos olhos da fé para que se possa distinguir, na caminhada, o que pode nos fazer cair e, conhecendo-o, como enfrentar. Falaremos de três “tropeços” que oferecem oposição direta à alma peregrina: os três inimigos da alma.
Antes de prosseguir, rezemos um pouco, clamando a ação do Espírito Santo em nossos corações, para que o véu que antes cobria nossos olhos seja rasgado e que a luz de Deus, com todas as suas revelações adentrem profundamente em nossa alma para nos libertar das cadeias que nos impedem de trilhar os passos de Jesus. Amém!
Ao abrirmos o Evangelho de São Marcos no capítulo 4, a partir do versículo 1, nos depararemos com a parábola do semeador:
“Jesus dizia-lhes em sua doutrina: ‘Ouvi: saiu o semeador a semear. Enquanto lançava a semente, uma parte caiu à beira do caminho e vieram as aves e a comera. Outra parte caiu no pedregulho onde não havia muita terra; o grão germinou logo, porque a terra não era profunda; mas assim que o sol despontou, queimou-se e, como não tivesse raiz, secou. Outra parte caiu entre os espinhos; estes cresceram, sufocaram-na e o grão não deu fruto. Outra caiu em terra boa e deu fruto, cresceu e desenvolveu-se; um grão rendeu trinta, outro sessenta, outro cem.’ E dizia: ‘Quem tem ouvidos para ouvir, ouça’."
Neste ensino de Jesus, podemos perceber aquilo o que São João da Cruz chama de “os três inimigos da alma”. Estes são três estorvos que, se não combatidos podem até mesmo nos tirar da comunhão com Deus. Eles fazem forte oposição à alma que quer se achegar cada vez mais ao Coração do Pai. Todos os danos recebidos pela alma provêm destes inimigos. Vamos, a partir do Evangelho, conhecê-los:
-“Outros ainda recebem a semente entre os espinhos: ouvem a palavra mas, as preocupações mundanas, a ilusão das riquezas, as múltiplas cobiças sufocam-na e a tornam infrutífera”. (Mc 4,19). Temos diante de nós o primeiro inimigo- e o mais fácil de ser combatido: o MUNDO.
- “Alguns se encontram à beira do caminho, onde ela é semeada; apenas a ouvem, vem Satanás tirar a palavra neles semeada”.(Mc 4,15). Nos deparamos com nosso segundo inimigo: o DEMÔNIO.
-“Outros recebem a semente em lugares pedregosos;quando a ouvem, recebem-na com alegria; mas não têm raiz em si, são inconstantes, e assim que se levanta uma tribulação ou perseguição por causa da palavra, eles tropeçam”. (Mc 4,16-17). Por fim, encontra-se nesta narrativa de Jesus, o terceiro inimigo da alma: a CARNE.
Podemos ver neste Evangelho que, aquilo o que é tirado pelos pássaros (demônio); sufocado pelos espinhos (mundo) ou queimado pela ausência de uma raiz profunda (carne) neste terreno – que é o terreno do nosso coração – é a palavra semeada pelo semeador. Ora, se fizermos um paralelo com o que São Paulo nos explica sobre a armadura do cristão (cf. Ef 6,13-17) perceberemos que o cinto (da verdade), a couraça (da justiça), o escudo (da fé) e o capacete (da salvação) são elementos de defesa que nos ajudam a esquivar dos ataques inimigos. Os pés calçados com a prontidão de anunciar o Evangelho nos impulsiona a ir em busca de outras almas. Porém, o soldado bem preparado não pode apenas se defender do inimigo mas também atacá-lo! E o instrumento da armadura que o Senhor nos dispõe para atacar os inimigos é exatamente a ESPADA do Espírito, que é a PALAVRA DE DEUS. E foi assim que o próprio Senhor o fez. Se lembrarmos bem da ocasião da tentação no deserto (cf. Lc 4,1-13), Jesus se deparou frente a frente com satanás e o venceu justamente pela Palavra de Deus. As respostas dadas por Jesus não foram senão aquilo o que já estava nas Escrituras. E, mais do que conhecer bem a Escritura, Jesus a vivia plenamente.
Assim, o que os três inimigos tentam destruir é justamente a palavra de Deus plantada e cravada em nosso coração. Dessa forma, ficamos sem armas para o ataque, tornando-nos presas fáceis. Trata-se então de uma verdadeira GUERRA, uma batalha espiritual com soldados, estratégias e tanques de guerra. E o que está em jogo não são limites territoriais ou o desarmamento nuclear... mas a nossa própria salvação! O que está em jogo é o Céu. Vemo-nos diante de três acampamentos inimigos com suas barricadas já a postos. Cada um ataca de uma maneira, tendo suas particularidades e estratégias próprias. Mas sabemos que, em Cristo somos mais que vencedores e que esta batalha já foi ganha na Cruz! É preciso apenas garanti-la em nossas vidas!
São João da Cruz nos ensina que os três inimigos encontram-se de tal forma entruncados que, ao se dar a vitória a algum deles, todos se fortalecem. Porém, em contrapartida, vencendo-se um, enfraquecem-se os outros dois. Vencidos os três, cessa a guerra da alma. Mas, para vencer o inimigo, é preciso conhecê-lo, saber de suas estratégias e artimanhas. A seguir, falaremos particularmente de cada um.
O MUNDO
Dentre os três inimigos da alma, o mundo é o mais fácil de ser vencido, uma vez que exige de nós uma tomada de posição clara e decisiva: SIM ou NÃO. Trata-se aqui de termos a opção clara de qual senhor queremos servir: ao mundo ou a Jesus? Temos que OPTAR: ou amamos o mundo, com suas falsas delícias e mentiras ou amamos o Senhor que nos deu a vida. Não se pode, como o próprio Jesus já ensinou, amar o mundo e a Deus ao mesmo tempo. É como querer navegar com o pé em dois barcos. A princípio, com o mar calmo pode-se até conseguir, mas chega-se em um ponto, em um dado momento que é preciso optar e ir pra um dos barcos. E assim, o outro se distancia. Na alma acontece da mesma forma: ao estarmos com Jesus todas as outras coisas tornam-se para nós “esterco”. Em Jesus temos a plenitude da vida e nada no mundo pode suprir aquilo o que encontramos no Salvador... por mais belos e atraentes que possam parecer. Nada se compara à presença de Jesus. Nada se compara à Vida Eterna.
A resistência que o mundo oferece pode ser para muitas almas uma barreira quase que intransponível. São mostradas à alma (principalmente no início da caminhada, quando os pés ainda tremulam um pouco) as “perdas” que ela terá caso optar pela porta estreita de Jesus: a “perda” dos amigos, a “perda” dos deleites mundanos (muitos se desesperam e têm medo ao pensar que não mais poderão provar dos prazeres oferecidos pelo mundo) e a “perda” da consideração e admiração dos antigos amigos e conhecidos (medo do desprezo do do mundo). Neste momento no entanto, devemos nos alicerçar nas palavras animadoras de Jesus: “Se o mundo vos odeia, sabei que me odiou a mim antes que a vós. Se fôsseis do mundo, o mundo vos amaria como sendo seus. Como, porém, não sois do mundo, mas do mundo vos escolhi, por isso o mundo vos odeia” (Jo. 14.18). Ora, ser “odiado” e desprezado pelo mundo é a prova concreta de que estamos no caminho certo, de que estamos seguindo verdadeiramente os passos do Mestre, a quem o mundo odiou primeiro. Nada há que se temer, pois o Senhor nos escolheu no mundo e nos retirou dele. Por isso a importância de renunciar às “glórias” e “deleites” mundanos em função da Glória celeste que está em Jesus... Ter a convicção de que, diante do Jesus o que podemos ver como perda, é antes, um ganho para Deus. É hora de trocarmos tudo, pelo Tudo que é o Senhor.
Dessa forma, se optarmos de uma vez por todas por Jesus este inimigo não mais terá força contra nós. Então, a palavra chave para lutar e vencer este primeiro inimigo é DESAPEGO. Desapego dos bens materiais mas também, desapego das pessoas. Temos que ter em mente que TUDO passa, só o Amor (que é Deus) ficará. Nosso corpo, PASSA! Nosso dinheiro, ACABA! Nossa roupa, RASGA! Nossos estudos PASSAM! O emprego, PASSA! O namoro, ACABA! A faculdade, ACABA! A casa, ACABA! Os prazeres mundanos, PASSAM! A bebida, ACABA! A comida, ESTRAGA! As pessoas, MORREM! Os amigos, SE VÃO! Não vale a pena desgastar a nossa vida com aquilo o que passa... muito menos nos apegar e ancorar nisto... Não! Apeguemo-nos ao Senhor... Ele não passa... Ele é eterno... é o mesmo ontem, hoje e sempre! Deste mundo nada se leva, nem mesmo os prazeres...
Opte pelo Senhor e essa batalha será ganha! Buscai primeiro o Reino de Deus e TUDO te será dado em acréscimo (cf. Mt 6,33-34)
O DEMÔNIO
Se o mundo é o mais fácil dentre o três, este segundo inimigo, o demônio, é o mais difícil de se descobrir suas obras. Antes de nos aprofundarmos mais, precisamos ter a certeza de que o demônio existe e oferece forte oposição contra nossa caminhada ao céu. Ele se aproveita dos outros dois inimigos para se fortalecer. O mal, conforme nos ensina o Catecismo da Igreja Católica, não é uma abstração, mas é uma pessoa, e tem nome: o anjo decaído do céu.
Dentre os três, ele é o mais forte e o mais obscuro de se perceber, suas astúcias e tentações são as mais fortes e duras de se vencer por se tratar de um ser espiritual. Sua inteligência e acuidade mental são superiores à nossa. Suas faculdades são maiores que a humana, uma vez que, sendo anjo, possui a natureza e capacidades angelicais.
Só pela luz do Espírito e pelos ensinos da Igreja sobre o demônio conseguimos desvendar as artimanhas e insídias do inimigo de Deus. Sabemos que as obras demoníacas são repugnantes e por isso, para nos oferecê-las, satanás precisa revesti-las sob a forma do bem. Caso contrário, não a aceitaríamos. Daí a importância do dom carismático do discernimento dos espíritos (cf. I Cor 12,10). Com ele, o Senhor nos dá a graça de discernir, em determinado momento de nossas vidas ou na vida do irmão qual espírito está agindo... se o Espírito de Deus, o espírito humano ou o espírito diabólico. Assim, o inimigo é fragilizado, pois suas obras são desmascaradas.
E só pela força de Deus conseguimos vencê-lo. É estando em comunhão com o Senhor que esta batalha é ganha, uma vez que a força de Deus é infinitamente superior à de satanás. Este é uma criatura e, sendo assim, diante da onipotência de Deus, é infinitamente limitado e derrotado. Santa Tereza d’Ávila afirmava que para ela, uma mosca a incomodava mais que o próprio demônio.
Da mesma forma, é pela HUMILDADE que vencemos o diabo e tornamos fracas todas suas obras. Ora, o demônio “afronta tudo o que é elevado, é o rei dos mais orgulhosos animais”(Jó 41,25). Assim, diante do humilde ele não tem forças para derrubar. Pode até mesmo tentá-lo, mas não encontra nele uma ocasião de queda. Voltemos à cena da tentação no deserto: satanás até tentou derrubar Jesus mas, perante a Humildade encarnada não pôde fazer nada. Da mesma forma conosco: quanto mais humildes formos, mais semelhantes a Jesus! Quanto mais humildes, menos ocasiões de queda serão encontradas em nós, uma vez que o “rei dos mais orgulhosos animais” conhece bem a natureza de uma alma orgulhosa.
A um primeiro momento, a humildade parece ser algo fácil de se alcançar e mesmo, algo superficial. Mas não o é. Humildade exige desapego de si mesmo. Desapego das próprias vontades, do próprio querer. Humildade supõe humilhação. Humildade supõe obediência. Humildade exige silêncio mesmo diante de acusações e falsos testemunhos. Humildade exige esquecer-se de si mesmo. Humildade exige considerar o outro maior do que você. Humildade brota do coração. Um coração humilde nem hesita em dar a vez, a razão e o controle ao outro e principalmente a Deus. Ora, foi assim com Jesus. Jesus foi obediente ao Pai até a morte de Cruz. Sobrepôs a vontade do Pai à sua. Calou-se diante acusações humanas. Ele, sendo Deus e conhecendo todos os corações, poderia ter se defendido diante do Sinédrio. Mas não. Deixou-se humilhar ainda mais para fazer a vontade do Pai. Calou-se. Amou. Obedeceu. Uma alma soberba, por mais que tente, não consegue obedecer. Sempre considera suas idéias superiores às dos outros.
Assim, quanto mais humildes formos, mais parecidos com Jesus seremos e mais força teremos diante do demônio para vencê-lo. Pois o Senhor desconcerta o coração dos soberbos, derruba do trono os poderosos e exalta os humildes (cf. Lc 1, 51-52). Em contrapartida, quanto mais soberbos, mais nos pareceremos com o rei dos mais orgulhosos animais. Cabe a nós optarmos, mais uma vez, a qual rei estaremos servindo e nos espelhando.
Podemos portanto, classificar duas armas contra este segundo inimigo da alma: ORAÇÃO (para desvendar suas obras e estar em comunhão com Deus) e HUMILDADE para nos assemelharmos cada vez mais com Aquele que já o venceu: Jesus.
A CARNE
Por fim, o terceiro inimigo que investe contra a alma: a carne. Esta, dentre os três, é o mais tenaz e pegajoso dos inimigos. Ela oferece continuamente uma oposição ao espírito e durará até quanto durar o homem velho em nós. Trata-se portanto de uma batalha árdua, uma vez que o homem velho durará enquanto durar nossa vida, devido à concupiscência existente em nós. Conta-se que Santo Inácio de Loyola escrevia diariamente em sua mão o pecado que durante o dia inteiro ele precisaria combater. No dia de sua morte, perceberam que sua mão estava fechada e que trazia consigo um papel. Ao abrirem a mão, perceberam que no papel estava escrito: ORGULHO. Santo Inácio, mesmo no dia de sua morte estava combatendo contra a sua carne!
Trata-se de um inimigo mais complicado de se vencer uma vez que, com os demais inimigos travamos uma luta externa. O mundo e o demônio são inimigos que agem exteriormente. Já a carne não. Está em nós: são os NOSSOS próprios desejos e impulsos. É uma luta não contra NÓS mas contra o pecado que habita em nós. Podemos perceber a angústia e batalha travada do apóstolo Paulo ao se deparar com suas próprias fraquezas em Rm 7, 14ss:
“Eu sei que em mim, isto é, em minha carne, não habita o bem: porque o querer o bem está em mim, mas não sou capaz de efetuá-lo. Não faço o bem que gostaria mas o mal que não quero. Ora, se faço o que não quero, já não sou eu que faço, mas sim o pecado que em mim habita. Encontro pois em mim esta lei: quando quero fazer o bem, o que se me depara é o mal. Deleito-me na lei de Deus no íntimo do meu ser. Sinto porém nos meus membros outra lei, que luta contra a lei do meu espírito e me prende à lei do pecado, que está nos meus membros. Homem infeliz que sou! Quem me livrará deste corpo que me acarreta a morte? Graças sejam dadas a Deus por Jesus Cristo, nosso senhor! Assim pois, de um lado, pelo meu espírito sou submisso à lei de Deus; de outro lado por minha carne, sou escravo da lei do pecado”.
Árduo combate, uma vez que dentro de nós estão em confronto duas leis: a do espírito e a do pecado. De um lado, encontra-se, em função do pecado original, a concupiscência carnal - que é a tendência a fazer o mal. Por outro lado, em nosso coração estão cravados os mandamentos de Deus e suas leis. Eis a batalha.
E essa luta, este combate interior PRECISA acontecer. Precisa, diariamente, existir em nós. Caso contrário podemos perceber que estamos dando a vitória continuamente à carne. Pois realizar aquilo o que a carne pede é nos satisfazer pessoalmente. Lutar contra ela não o é. Lutar contra a carne, ou seja, lutar contra os nossos próprios desejos dói. E precisa doer porque o Amor Verdadeiro dói. Na Cruz foi assim. Conosco precisa ser da mesma forma. Enquanto não estiver sangrando, se não estivermos neste conflito experimentado por São Paulo, certamente é a carne que está ditando nossas ações.
Vencer a carne é não ser refém dos próprios sentimentos, dos desejos e do querer. Assim, é preciso constância para mantermos firmes e inabaláveis os propósitos assumidos diante de Deus, bem como a fidelidade aos planos e pedidos do Pai a cada um. Vencer a carne é fazer aquilo o que NÃO gostaríamos de fazer. Os homens guiados pelo Espírito não fazem aquilo o que gostariam de fazer porque “os desejos da carne se opõe aos do Espírito, e estes aos da carne; pois são contrários uns aos outros” (Gl 5,17). Ora, se é o Espírito que nos guia, se é o Senhor que habita em nós fazemos a vontade dAquele que nos criou. E muitas vezes a vontade de Deus não é a nossa. Assim, exige-se de nós a mortificação. Nas pequenas coisas cotidianas vencemos a carne se fazemos aquilo o que não gostamos de fazer. Seja o arrumar casa, o passar roupa, o fazer a vontade do outro, o silenciar diante das contrariedades, o lavar o carro, enfim... se nas pequenas coisas conseguimos dizer NÃO às regras da carne, na luta contra o pecado será da mesma forma.
E vencer a carne é, antes de tudo, vencer o pecado que nela habita. Arrancá-lo de nosso coração como se faz com as ervas daninhas em um terreno. Na maioria das vezes, as ervas daninhas são arrancadas superficialmente, uma vez que a raiz está arraigada, profundamente presa ao solo. Muitas vezes conseguimos arrancar apenas as folhas. Porém, em pouco tempo, elas crescem com mais vigor. É preciso um veneno específico para aniquilá-las. Em nosso coração, acontece da mesma maneira. Precisa-se de uma intervenção direta de Deus para arrancar por inteiro a raiz do pecado em nós. O sangue de Jesus precisa ser derramado para queimar e acabar com as ervas daninhas insistentes do nosso coração. Caso contrário, arrancaremos apenas superficialmente o pecado, deixando a raiz. Seremos eternos reincidentes no pecado. E este trabalho - o de arrancar o pecado pela raiz – precisa ser feito não por nós, mas pelo Agricultor que cuida de nós. A nós cabe apenas cultivar um terreno dócil à ação de Deus. Quanto mais fofa a terra estiver, mais fácil de arrancar pela raiz as plantas indesejadas.
Assim, para vencermos este terceiro e pegajoso inimigo precisamos da constância e da mortificação. Caso contrário, seremos como a semente que até germinou mas não tinha raiz em si. No primeiro vento ou sol forte ela se desfaz.
Por fim, o Senhor nos convida a fazer de nosso coração um terreno fértil! Terreno úmido, regado pelo Espírito e que dá bons frutos. Terreno onde a palavra é semeada e VIVIDA! Onde a Palavra é encarnada. Palavra que é força de ataque contra os três inimigos da alma. Quanto mais alicerçados na Palavra do Senhor, menos forças terão nossos inimigos contra nós! À alma firmemente alicerçada no Palavra de Deus e no seu devido cumprimento pouco se pode fazer.
Portanto, armadura a postos e, na certeza de já sermos vencedores, unamos à toda a milícia celeste para lutarmos contra aqueles que nos fazem cair, pois a BATALHA É DO SENHOR!
Ana Carolina Zabisky
Comunidade Beatitudes do Coração de Jesus
Irmãos esse blog foi criado para vivenciarmos a cada dia ou a cada acesso uma visão de deus em nossas vidas e em nosso coração, por que kerygma ? Porque kerygma e uma palavra de origem grega que quer dizer ,primeiro anuncio de Jesus vivo ;morto e ressuscitado,também significa.proclamar ,gritar ,anunciar Jesus as pessoas ,principalmente quem ainda não ouviu falar de Jesus, como já disse kerygma e o primeiro anuncio de Jesus cristo,as pessoas, levar as pessoas a encontrarem Jesus em suas vidas. Amados irmãos nos tempos de hoje são muitos os desafios para anunciar o kerygma as pessoas. Muito mais do que ha. 2000 anos atrás ,porque a modernidade tem levado as pessoas a uma vida descartável e pratica no sentido de ser o mais e simples e rápido possível, portanto amados e amadas em cristo aqui vc vai encontrar uma escada q vai ti ajudar a chegar a Jesus em teu dia dia,degraus q iras semanalmente subir em tua vida espiritual deus te abençoe
A misericórdia não é uma coisa só, mas sim o conjunto de muitas atitudes humanas que levam a pessoa a uma plenitude de vivência segundo os ensinamentos de Deus
Este artigo me custou muitíssimo trabalho. E não sei se vou conseguir fazer compreender aos meus cinco leitores o que eu compreendi da misericórdia. Depois de ter lido artigos, livros e dicionários que comentam a palavra “misericórdia” prometi a mim mesmo e aos outros de não usar palavras difíceis. Deus, quando fala conosco, não pode se transformar num “conhecedor” das palavras e usar uma linguagem que o ser humano que não possui muita cultura não pode entender. Ele é sempre o Deus do amor. Desde menino, lendo o evangelho, aprendi que Jesus é cheio de misericórdia, mas nunca conseguia entender afinal em que consiste a misericórdia e como exercê-la na vida.
A misericórdia não é uma coisa só, mas sim o conjunto de muitas atitudes humanas que levam a pessoa a uma plenitude de vivência segundo os ensinamentos de Deus e de sua palavra. É como se alguém nos perguntasse: o que é saúde? Não seria responder que é não ter doença. Seria uma resposta insuficiente. Todos sabemos que a saúde depende de muitas outras coisas, desde uma boa alimentação, higiene, ambiente bom, educação, ar não poluído, não exagerar nem na bebida nem na comida e precaver-se de todos os tipos de causas que possam provocar doenças. Assim a misericórdia para ser compreendida é preciso de vários elementos que estejam presentes na pessoa que decide ser misericordiosa.
Vamos evidenciar alguns elementos.
Fidelidade: a pessoa que vive a misericórdia sabe que deve ser fiel aos compromissos assumidos e deve estreitar sempre mais os laços de amizade, de amor para com os que exerce a sua misericórdia. Por isso não se pode ser misericordioso sem realizar uma aliança entre o que têm coração terno, bom, e os que têm um coração frágil, pecador, que na sua solidão necessita de compreensão diante dos erros que ele comete. Deus faz aliança conosco em todos os momentos de nossa vida, nunca ele será capaz de rejeitar a sua criatura porquanto ela se afaste dele.
Há um texto no profeta Ezequiel que manifesta a misericórdia de Deus: “Então eu passei junto de ti e vi que te debatias no próprio sangue. E eu te disse enquanto jazias em teu sangue: Vive! Eu te faço crescer exuberante como uma planta silvestre. Tu cresceste e te desenvolveste.”(Ez 16, 6-7) Esta página é muito amada pelos místicos. São João da Cruz a usa para evidenciar como Deus se enternece e se comove quando nos vê jogados no lamaçal da vida, e vem em nosso socorro para que possamos sair dos nossos erros. A mesma Santa Teresinha vê nesta página do profeta uma imagem da misericórdia de Deus para conosco.
A misericórdia é saber chorar com o outro. Nada de mais forte no amor misericordioso do que quando alguém que nos ama, para nos mostrar o seu amor, chora conosco. Assim a parábola da misericórdia de Lc 15 nos mostra este amor de um Deus que chora quando percebe que uma ovelha tem-se afastado do rebanho. Ele vai procurá-la e percorre montes e vales até encontrá-la e quando a encontra somente as lágrimas do pastor se confundem com os balidos da ovelha perdida. Ele a carrega nos ombros e leva-a para casa porque não quer que se canse ou se fira. Assim a mulher que perde a sua dracma faz de tudo para encontrá-la e quem sabe derrama lágrimas, e uma vez encontrada, parece-me vê-la olhar com ternura para esta moeda de estimação e fazer festa. O pai do filho que tinha abandonado tudo e tomado o caminho do erro o acolhe cobrindo-o de beijos. Não lhe faz pesar a sua volta, mas sim o ama ao ponto de redevolver-lhe tudo o que ele não tem mais direito. Ele sabe que o amor não pode basear-se nas leis, mas sim na lei do coração que é amor. E faz festa. A misericórdia é fazer festa quando alguém que estava longe volta e nos pede que o amemos com intenso amor.
Misericórdia é sentir a comoção do “friozinho no estômago” porque o amor voltou, é sentir-se atraído pelos outros e dar tudo. Não se pode compreender a misericórdia se nós não sabemos quanto o outro custa. Por isso Jesus é misericordioso porque não hesitou em dar o seu sangue por todos nós. O mundo de hoje perdeu o sentido verdadeiro da misericórdia. Ele se deixa guiar e dominar pelas leis, pela dureza e pelo interesse pessoal. Não importa o bem que o outro nos fez, o que importa é que eu devo ser “duro, exigente” para que o outro se corrija. Provavelmente nenhuma lei do direito canônico conseguiu converter ninguém e nem conseguirá.
Mas um abraço de ternura e um olhar meigo, como do Cristo na cruz, serão sempre capazes de converter muita gente. Os sinais de misericórdia estão aí, na vida dos grandes santos e especialmente de Jesus, que nunca pergunta ao pecador: de onde você vem? Para onde vai? Quantos pecados você cometeu? Mas simplesmente, diante das lágrimas do remorso do pecador Jesus não sabe dizer outra coisa senão: OS TEUS PECADOS ESTÃO PERDOADOS. VAI EM PAZ E NÃO PEQUES MAIS.” Esta é a misericórdia.
Frei Patrício Sciadini, OCD
Para mim, a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao céu, um grito de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da alegria.
Santa Teresinha definia assim a oração: “Para mim, a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao céu, um grito de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da alegria“.
A oração é um impulso do coração, é o coração que reza. A Sagrada Escritura define o coração como a casa em que estou, em que moro, o lugar da decisão, onde escolhemos a vida ou a morte. O coração é o lugar do encontro com Deus, o lugar da Aliança.
A oração, portanto, não é e nem deve ser monólogo. Tem de ser um diálogo, e é necessário aprender a se calar para ouvir o Senhor. Em um diálogo falam os dois. Mesmo se Deus fala sem elevar Sua Voz, é preciso saber ouvi-Lo. Pois, só há oração se houver encontro, diálogo na fé, com o Senhor.
A oração é uma conversa entre amigos. Por isso, a primeira condição para o diálogo é uma pausa nas atividades do dia-a-dia que nos absolvem e nos agitam. Para rezar, para fazer um oração, é preciso parar. Aos poucos, se formos constantes na oração, conseguiremos rezar em todos os momentos de nossa vida: trabalhando, comendo, pensando. Porém, a oração, exige sempre, ou quase sempre, uma parada. Um tempo dedicado ao diálogo com o Senhor, em que Ele é o Tudo e em que nada ou ninguém deve perturbar essa nossa conversa a sós com o Mestre.
O tempo de oração é essa audiência divina, um diálogo. A pausa é condição para o diálogo, que não precisa, forçosamente, de palavras. Normalmente começa-se assim: eu falo, ou ouço a Deus que fala. Mas depois, na purificação do interior, o diálogo não exige muitas palavras. Basta que os corações dialoguem, que os olhos se cruzem: diálogo de presença de amor.
Santa Teresinha do Menino Jesus transmitiu exatamente isso à sua enfermeira, quando esta perguntou o que dizia ela a Deus quando rezava: “Eu não Lhe digo nada, eu O amo”.
A oração, o diálogo, sincero, consciente, livre, levará à entrega da nossa vida: “A oração, quer saibamos ou não, é o encontro entre a sede de Deus e a nossa. Deus tem sede de que nós tenhamos sede d’Ele” (Santo Agostinho).
Faça essa experiência, abandonando todos os pensamentos que absorvem sua vida, ainda que por um instante diário, e entregue-se a este diálogo de amor com Deus.
A presença de Deus nos cura e liberta de todos os males espirituais e físicos. O Amor de Deus, que fala conosco, nos salva. Este é o segredo da oração!
Pe. André Eduardo G. Lourenço
Revista Brasil Cristão – nº 120 – Julho de 2007
“O testemunho de vida é a primeira e insubstituível forma de missão”. João Paulo II
“O testemunho de vida é a primeira e insubstituível forma de missão”. João Paulo II
“Mas o que me anima mais a proclamar a urgência da evangelização missionária é que ela constitui o primeiro serviço que a Igreja pode prestar ao homem e à humanidade inteira, no mundo de hoje, que, apesar de conhecer realizações maravilhosas, parece ter perdido o sentido último das coisas e da sua própria existência. Cristo Redentor - como deixei escrito na primeira Encíclica - revela plenamente o homem a si próprio. O homem que a si mesmo se quiser compreender profundamente (.. ) deve aproximar-se de Cristo (...) A Redenção, operada na cruz, restituiu definitivamente ao homem A DIGNIDADE E O SENTIDO DA SUA EXISTÊNCIA NO MUNDO”. João Paulo II
“Deus abre, à Igreja, os horizontes de uma humanidade mais preparada para a sementeira evangélica. Sinto chegado o momento de empenhar todas as forças eclesiais na nova evangelização e na missão ad gentes. Nenhum crente, nenhuma instituição da Igreja se pode esquivar deste dever supremo: ANUNCIAR CRISTO A TODOS OS POVOS”. João Paulo II (Redemptoris Missio)
O que é missão?
Missão é anunciar a Palavra de forma salvífica. Tornar o Reino de Deus mais presente no mundo, isto é, manifestar a soberania salvífica de Deus.
Missão é sair de si para dizer, como disse Deus ao sair de si, que tudo que existe, existe por causa de um desígnio de amor; que somos amados, antes de toda necessidade de anseio. A missão parte de uma experiência do Absoluto e quer levar à experiência do Absoluto. Levar o Ressuscitado ao povo, trazer a vida para uma experiência de ressurreição.
Onde, como RCC, fazemos esta experiência com o Absoluto, com o Transcendente, com Deus? No Grupo de oração, na Comunidade que participamos e pertencemos.
A importância da vida comunitária:
1. Nos revela quem somos de verdade. Para o público, somos perfeitos, santos, ungidos. E quando nos deixamos convencer por isso, quando começamos a nos sentir santos mesmo, ungidos, o Espírito Santo já está longe de tudo.
2. Nos equilibra. “Um músico sem estar inserido em alguma comunidade ou grupo, é um músico desequilibrado” (Nelsinho Correia).
3. Nos cura, reanima e fortalece. É na comunidade que o missionário tem a oportunidade de se reabastecer, de ser curado e fortalecido, de ser cuidado por Deus, através dos irmãos.
Cuidado com pensamentos do tipo: “Ah! A messe é grande, tem poucos operários e muito trabalho, não dá para perder tempo no meu grupo de oração”. É melhor “perder” um pouco de tempo do que perder-se no caminho. “Se te deixaste amar por Deus, se sabes que Ele é, se te deixastes prender por Ele, então sabes que é nEle que deves investir as melhores energias de tua vida. É por causa dEle que te moves em direção aos irmãos”. No seu ser missionário, o valor está na salvação das almas.
“Mil vidas tivesse, mil vidas daria para salvar somente uma das muitas almas que se perdem”. Santa Teresinha
Então, a motivação da vida missionária NÃO É:
1. Ser famoso, aparecer na tv, tirar fotos, dar autógrafos;
2. Ganhar dinheiro;
3. Ser querido e respeitado na cidade, diocese ou grupo de oração;
* A motivação é ser instrumento para a salvação das almas.
Como se manter nesta motivação:
Somos servos! Estamos a serviço! Nossos irmãos não estão a nosso serviço, a nosso dispor. “Não basta falar de Deus. É necessário testemunhá-Lo por uma vida de santidade encarnada em nossos dias”.
“O testemunho de vida é a primeira e insubstituível forma de missão”. João Paulo II
“O próprio testemunho da vida cristã e as boas obras feitas em espírito sobrenatural possuem a força de atrair os homens para a fé e para Deus”. (Catecismo da Igreja Católica)
“Não fostes vós que me escolhestes, fui eu que vos escolhi e vos constituí pra irdes e dardes frutos e para que vosso fruto permaneça.” (Jo 15,16). Faz parte do seu ser missionário dar fruto que permaneça. Aos missionários, exigi-se um testemunho de vida, de compromisso com o próprio mandato missionário.
Como dar testemunho de vida apesar de nossas fraquezas:
1. Ser sempre discípulo. Nunca se considerar pronto. Antes de proclamar a Palavra deve ouvi-la, assimilá-la e vivê-la.
2. Conformar-se a Cristo. Deixar-se colocar pelo Espírito Santo na “forma” de Cristo. Isso é, na prática. Ex: Não ir me missão onde quero, mas onde Deus envia, acordar cedo num dia de domingo para uma missão e etc.
3. Vida Orante. Sem oração não há santidade de vida. É o Espírito Santo que na oração modela o pensamento e a afetividade da pessoa que reza.
4. Ter uma vida sacramental. Os sacramentos são sinais da graça. São pelos sacramentos, sobretudo a Eucaristia, que nos encontramos com Cristo vivo, fonte da missão.
5. Viver em comunhão. Procurar sempre a própria identidade eclesial. O missionário não é independente. Sua ação missionária necessita estar ligada à Igreja, ser conduzida pelos seus direcionamentos porque esses direcionamentos são o sopro vital do Espírito Santo.
A vida missionária é vida de envio. O missionário é enviado por sua comunidade, leva seus irmãos junto consigo, conta com sua intercessão e tem um lugar pra retornar após a missão.
“A Igreja vem nos perguntar: Existe, acaso, ação mais grandiosa que salvar do nada? Há meta mais exaltante do que arrancar da frivolidade, fatuidade? Empenho mais sublime do que o de abrir os olhos para a capacidade de duração e plenitude de vida que vem ao encontro do homem?”.
Boa e fecunda missão!
A oração de cura interior tem por objetivo curar-nos e libertar-nos, para podermos amar melhor o próximo.
A cura interior permite-nos expressar melhor o amor.
Todos conhecemos as frases: “Com o tempo passa” e “Depois de casado sara”. Até parece mesmo que estes chavões são consolos para quem está sofrendo. No entanto, o tempo não cura absolutamente nada. O tempo pode até mesmo anestesiar um pouco a dor. Mas os dias passam e a agonia continua. O tempo pode jogar o sofrimento para seu subconsciente ou inconsciente, fazendo-o crer que o problema foi superado.
Na realidade, o tempo não cura. Basta um acontecimento qualquer para, de repente, fazer a dor antiga voltar à superfície. Ainda que o tempo nada possa curar, Deus pode curar com o tempo. No poder do Espírito Santo, Deus pode curar o coração ferido, pode dar vida novamente a um casamento, pode livrar o sofredor de suas penas.
É claro que no pior momento da dor é importante partilhá-lo com alguém de confiança. É importante também aceitar a ajuda oferecida por amigos, profissionais da saúde psíquica, moral e espiritual. Compreensão, consolo e apoio podem trazer alívio em momentos difíceis. Mas o mais importante é curar as raízes e causas do sofrimento. E isso é possível pela cura interior, que acontece quando deixamos Deus agir em nós. Portanto, precisamos descobrir e tomar posse do infinito amor que Deus derramou e continua derramando sobre a humanidade.
Do coração de Jesus nasce o homem de coração novo, nasce a possibilidade de cura interior, porque Jesus nos leva a crer e a experienciar que o amor d’Ele é infinitamente maior que nossas misérias e pecados. Muitas vezes, as pessoas ficam protelando sua felicidade, afirmando: “Só vou ser feliz quando resolver este meu problema...” Um problema interior não pode ser um obstáculo para vivermos bem e procurarmos, com nossas limitações, servir àqueles que de nós necessitam.
As feridas da vida, que alteram nossa afetividade, não são o pecado, a culpa nem a maldade espiritual, já que não são coisas que dependam muito de nossa vontade. A demasiada preocupação de sanar essas feridas pode consumir, – em nosso próprio eu –, todas aquelas energias que poderíamos empregar na ajuda aos outros, em trabalhar bem, entre outros.
A oração de cura interior tem por objetivo curar-nos e libertar-nos, para podermos amar melhor o próximo. A cura interior permite-nos expressar melhor o amor. Faz com que nossas atitudes não prejudiquem os outros, e com que possamos nos sentir melhor e, assim, apoiemos outras pessoas com o amor sadio, alegre e comunicativo.
Fonte:"Seja feliz todos os dias” de Pe. Léo (SCJ)
Ficando na superfície nos frustraremos, porque estaremos famintos e não seremos pescadores de homens como o Senhor nos chama.
Refletindo sobre o Evangelho Mateus 10,ss em que Jesus diz que a messe é grande e os operários são poucos e pede a nós que peçamos ao Pai, o Senhor da messe, que envie mais operários, chamou-me a atenção que esta colocação de Jesus veio depois de Ele percorrer todas as cidades e aldeias (Mt 10, 35) e ver a multidão enfraquecida e abatida, como ovelhas sem pastor.
Vivemos em um tempo na RCC que a moção que nos move é a de levantar nossa pátria de seu abatimento e lutar por nosso povo e nossa religião. Na época de Jesus a multidão vivia enfraquecida e abatida (Mt 10, 36) e Jesus pediu que rogássemos ao Senhor da messe mais operários.
Hoje percebo que, além da multidão enfraquecida e abatida, muitas vezes, os operários da messe também se encontram assim. Além de mais operários, imagino que Jesus, com seu olhar de compaixão, também queira ver seus poucos operários não como a multidão (fracos e abatidos), mas lutando por sua pátria e sua religião.
Recordo da passagem da pesca milagrosa, em que Jesus convida os discípulos a avançarem para águas mais profundas. Se os discípulos continuassem na superfície, preocupados em consertar as redes e frustrados com a pesca infeliz que haviam feito, acabariam como a multidão vista por Jesus na Multiplicação dos pães: fraca e abatida.
Porém, ao aceitar o convite do Senhor, de entrar na barca com Ele e avançar para o profundo, eles puderam pescar não peixes significando pessoas novas, já existia uma multidão na beira do lago, eles puderam pescar peixe que era alimento para eles voltarem motivados, alimentados e assim darem de comer a multidão. Só então se tornariam pescadores de homens.
O Senhor me falou muito claro que, sem avançar para águas mais profundas e comer do peixe que Ele me dá, não tenho como pescar novas pessoas, eu me torno enfraquecida como a multidão que não tem pastor e está a beira do lago esperando que Jesus fale. Por isso, para mim é muito séria e importante essa moção de avançar para águas mais profundas, ter uma experiência mais profunda com Deus, buscar uma escuta mais real da voz do pastor, investir na oração pessoal, na adoração, Eucaristia e conversão. Enfim, buscar alimento de sustância.
Nas águas mais profundas, nós, operários da messe, encontramos nosso alimento. A superfície é para a multidão que nos espera retornar do alto mar, até o dia em que o Senhor as chame a também avançar.
Ficando na superfície nos frustraremos, porque estaremos famintos e não seremos pescadores de homens como o Senhor nos chama. Levantemos nossa pátria do seu abatimento e lutemos por nosso povo e nossa religião! Se estamos abatidos, é talvez porque não temos ido a águas mais profundas, temos nos comportado como a multidão. Mesmo nas piores provações os apóstolos não se abatiam, porque sabiam em quem punham sua esperança.
Como formas de lutar contra o abatimento e de avançar para águas mais profundas, as moções proféticas que o Senhor tem dado a RCC Brasil são as nossas armas neste momento: ser povo de louvor e profetas da esperança, buscar a conversão profunda progredindo como pessoa e corrigindo os desajustes nos nossos comportamentos, confrontando a nossa vida com a Palavra de Deus, buscando principalmente o perdão e a unidade com os irmãos e por fim, sermos colunas de ferro, pessoas em pé na presença de Deus, que não deixam Deus e seus anjos em paz na batalha.
Para haver uma verdadeira iluminação para a vida pública e particular, é necessário que exista a fé em Deus e em Cristo.
É evidente que todos queremos uma sociedade melhor, com mais transparência, honestidade e solidariedade. Não é com um passe de mágica que vamos conseguir deixar de lado tanta corrupção, tanta injustiça social e tanto festival de mentiras que assolam nossa vida social. A tranqüilidade da ordem pública e a estabilidade das relações é um sonho que teima em permanecer aceso. Simplesmente porque a normalidade da convivência humana é a reta ordem, onde exista espaço para o desenvolvimento pacífico de todos os indivíduos que tomam parte do tecido social. Muitos acreditam no poder universal da Educação, para se alcançarem patamares mais altos de vida moral. Sim, isso é bastante verdadeiro, quando perpassada por princípios que tenham lastro. A família e a escola são lugares de se forjarem as personalidades. Mas isso ainda não é tudo.
Para haver uma verdadeira iluminação para a vida pública e particular, é necessário que exista a fé em Deus e em Cristo. Esse é o princípio que pode ser considerado o alicerce de uma radical renovação. Alguns mentores de ética laica afirmam que podemos alcançar a excelência na formação moral das pessoas, sem recorrer a motivações sobrenaturais. Temo que estejam vivendo de “sobras” da moralidade cristã. A estabilidade ética precisa estar ancorada em valores perenes, vinculados à dimensão religiosa. Esses carregam no seu bojo a solução dos graves problemas da convivência humana. As soluções para uma boa vida ética dependem das nossas visões do homem, e do sentido religioso que imprimimos na vida. A moral depende, muito mais que de princípios, depende de uma Pessoa, que é a do nosso Mestre e Salvador. Então, os valores éticos não precisam ser procurados e descobertos. Eles já existem. “Eu sou o Caminho” (Jo 14, 16). Tudo se concentra na própria pessoa de Cristo. A Ele nós queremos amar e imitar. Com Ele teremos condições para transformar a nossa própria vida. Então se concretiza a fé, firmemente ancorada. Nós nos transformamos, a partir de dentro, e não por imposições externas. “Quem fica unido a mim, e eu a ele, dará muito fruto” (Jo 15,5). Sem âncora espiritual, a escuridão acaba com qualquer moral.
Dom Aloísio Roque Oppermann
Arcebispo de Uberaba
"Padre quer dizer pai. Do Latim, pater/patris = pai - o padre é o pai da comunidade. Aquele que acolhe, ouve, aconselha, orienta, adverte, corrige..."
No dia 4 de Agosto, a Igreja celebra a memória de São João Maria Vianney (1786-1859), o Cura d’Ars, padroeiro dos párocos. Cura d’Ars foi um padre que viveu intensamente sua vocação, buscando na palavra de Deus e na Eucaristia as forças para levar adiante seu ministério. É dele a frase: “a mais bela profissão do homem é amar e rezar”. Em nossas comunidades, o Dia do Padre é celebrado no primeiro domingo de agosto. Pessoa tão comum em nosso meio, o padre é muito mais do que um líder religioso. Mais que guia, ele é pastor, pai, irmão mais velho, que conduz o povo a Deus.
Padre quer dizer pai. Do Latim, pater/patris = pai - o padre é o pai da comunidade. Aquele que acolhe, ouve, aconselha, orienta, adverte, corrige, quando necessário e alimenta de esperaça os fiéis. O padre também é conhecido como sacerdote, ou então, como presbítero.
O padre é sacerdote (em Latim, sacer = sagrado + dos = dom). Ele oferece a Deus o sacrifício da Eucaristia, memória da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. É presbítero (em Grego, presbyteros, significa ancião, idoso, experiente) porque como um irmão mais velho, orienta com sabedoria, seus irmãos mais novos, sempre buscando conduzi-los para a maturidade da fé.
Ser padre não é uma profissão, algo que escolhemos, que depende apenas e exclusivamente da decisão da pessoa. Ser padre é vocação. É Deus quem chama os homens para entregarem suas vidas a serviço do Reino. O padre é chamado para ser no mundo uma presença viva de Cristo. Assim, o padre torna-se um “outro Cristo”.
Uma pessoa passa a ser padre a partir da ordenação sacerdotal. É o sacramento da Ordem, ministrado pelos bispos. Depois de vários anos de discernimento vocacional, de convivência nos seminários, de vários anos de estudo, a pessoa se entrega totalmente a Deus, para que seja consagrada. A partir da ordenação, o padre torna-se um cumpridor do mandato de Cristo: Fazei isto em memória de mim (Lucas 22,19).
Ser padre é um mistério, algo que a razão tem dificulade de explicar. O padre é alguém que foi tirado do meio do povo, consagrado e devolvido ao povo para servi-lo. Por meio de suas ações, o padre deve fazer transparecer o modo de agir de Cristo, como se fosse Cristo mesmo agindo no mundo.
Para fazer com que os fiéis cheguem à maturidade da fé, os padres batizam, perdoam os pecados através do sacramento da Penitência, são testemunhas da Igreja nos sacramentos do Matrimônio e da Unção dos Enfermos. Mas o mais importante é: a cada dia, os padres renovam o sacrifício de Cristo, a Eucaristia, alimento para sua vida e para a dos fiéis (Decreto Presbyterorum Ordinis, sobre o Ministério e a Vida dos Presbíteros, nº. 5).
No entanto, nunca poderemos nos esquecer de que o padre é passível de erros, falhas, limitações e pecados. Enfim, o padre é um ser humano! Mas um ser que busca a graça de Deus, que quer dividir a alegria do seguimento de Cristo com seus irmãos e irmãs.
Maciel M. Claro é sacerdote, missionário claretiano
Simão de Cirene por um instante ajuda Jesus, mas a tarefa de carregar a cruz é pessoal. Depois do breve alívio, a responsabilidade é retomada.
“Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me”(Mt 16,24).
No caminho do Calvário, diz o Evangelho de São João que o próprio Jesus carregava sua cruz (cf. João 19,17). Jesus sabia da sua missão, do projeto do Pai para com ele. Diante da possibilidade de sofrimento, o Deus encarnado, podia fugir para o deserto, longe de todos, mas não fugiu. Depois da primeira queda, podia ter simulado um desmaio, desistindo ali, mas não desistiu. Ao ver sua mãe chorando, podia ter-se sentido vítima, injustiçado, mas não foi assim.
Nos olhos do filho, penetrados nos olhos da mãe, existia uma cumplicidade: Eis aqui os servos do Senhor, faça-se a tua vontade... (Lucas 1,38).
Simão de Cirene por um instante ajuda Jesus, mas a tarefa de carregar a cruz é pessoal. Depois do breve alívio, a responsabilidade é retomada.
Jesus faz o convite: se alguém quer vir comigo, é necessário negar-se a si mesmo (Mateus 16,24).
Em nossos tempos, negar a si parece absurdo, fora dos esquemas psicológicos estabelecidos.
A orientação do Mestre é sábia. Nossa história individual geralmente é marcada por imagens que fabricamos de nós mesmos, ou por aquilo que desejamos acreditar a nosso respeito. É um prato cheio para as vaidades e enganos, mas ninguém pode seguir Jesus, iludido com a própria imagem.
Negar-se é esvaziar-se, arrancar os enfeites e assumir nossa real condição. Abraçar nossa essência com nossas perfeições e, sobretudo, nossas imperfeições.
Diante desse esvaziamento, a cruz deixa de ter o peso insuportável, às vezes sentido por nós. O sofrimento, mesmo na dificuldade para compreendê-lo, adquire um sentido pleno... Assim, não teremos a tentação de fugir, de desistir e de nos fazermos de vítimas. Existirá no brilho de nossos olhos uma certeza inquebrantável: minha fé é maior que minha cruz.
Não existe uma cruz mais pesada que a outra. Aparentemente, pode ser leve se, porém, a vida estiver mergulhada num poço de vaidades, o choramingo será constante, a debilidade ditará as regras... Sou testemunha da fé de pessoas que diante do limite extremo, do peso insuportável de suas cruzes, foram capazes de transmitir serenidade... Nesses casos, só uma coisa explica, como diz o salmista: O Senhor é nossa rocha (Salmo 17,3).
Pe. Luís Erlin é sacerdote, missionário - autor do livro “Olhai os lírios do campo - Nada perturbe vosso coração”, Ed. Ave-Maria. Contato: editorial@avemaria.com.br
Em síntese, nós temos três termos, três aspectos do ser humano, que resumem todo o seu ser e todas as suas atividades: coração, espírito e alma.
CoraçãoNa Bíblia se encontra em várias passagens o vocábulo coração. Cumpre, em primeiro lugar, ter em conta que o hebreu considera o coração como o interior do ser pensante. O coração retém as recordações e as idéias, os planos e as decisões.
Na antropologia bíblica o coração é a própria fonte de sua personalidade consciente, inteligente e livre. É o lugar privilegiado onde há o encontro com Deus. O Ser Supremo examina o coração de cada um e detesta a falsidade. Lê-se em Isaías: “Este ´povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim (Is 29,13). Cumpre amar a Deus de todo o coração (Dt 6,5).
Um dos trechos mais preciosos elucidativos do Antigo Testamento se encontra .em Ezequiel. Assim fala o Senhor: “Eu vos purificarei, e dar-vos-ei um coração novo, porei em vós um espírito novo; tirarei da vossa carne o coração de pedra e vos darei um coração de carne (Ez 36,25 s) É que, como afirmou Jesus, “do coração provém os maus desejos, homicídios, adultérios, fornicações, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias. Estas são as coisas que contaminam o homem” (Mt 15, 19-20). Eis por que uma das bem-aventuranças foi assim formulada por Jesus: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt, 5,8)
Ao se propor como modelo Cristo aconselhou: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29).
Para São Paulo a fé do coração obtém a justiça (Rm 109 s).
Na sua monumental obra “Jesus de Nazaré” o papa Bento XVI afirma que o “órgão com o qual o homem pode ver a Deus é o coração; o simples entendimento não basta” . Acrescenta: “O coração – a totalidade do homem – deve ser puro, interiormente aberto e livre, para que o homem possa ver Deus”. Explica então que “o coração puro é o coração que ama”. Daí a célebre frase de Santo Agostinho: “Ama e faze o que quiseres”.
O Papa João Paulo II assim se expressou sobre este pensador: “Santo Agostinho, profundo conhecedor do coração humano, sabe que na base da inquietação da pessoa está o próprio Deus, "beleza sempre antiga e sempre nova" (Conf. 10, 27, 38). Deus faz-se presente através de numerosos sinais e de tantas maneiras, vindo ao encontro da sua criatura sequiosa de transcendência e de interioridade. [...] Não se chega a Ele através de um caminho superficial, mas pelo caminho da interioridade. É sempre Santo Agostinho que nos recorda que só a aproximação ao próprio centro interior de gravidade torna possível o contacto com a Verdade que reina no espírito (cf. De Magistro, 11, 38). Para chegar felizmente a esta meta, o ponto de partida e ao mesmo tempo meta de chegada, como fazia notar Santo Agostinho nas suas Confissões (cf. 1, 1, 1), é necessário um trabalho de imersão em si mesmos, de libertação dos condicionamentos do mundo exterior, de escuta atenta e humilde da voz da consciência.
Em síntese, nós temos três termos, três aspectos do ser humano, que resumem todo o seu ser e todas as suas atividades: coração, espírito e alma.
O coração no sentido bíblico é, portanto, a fonte da personalidade consciente, o âmago do ser. É como o órgão através do qual Deus se dirige aos homens, com seis funções específicas: sede da vida da alma em geral, o interior do homem; sede da vida intelectiva, sede de sentimentos, sede de vontade, sede de vida moral-religiosa, centro de tudo.
O espírito (pneuma) retém o sentido de sopro, respiração. Exprime a força vital, como o dinamismo organizador que é o próprio da vida. É uma forma superior da vida.
Quando se usa então o termo alma, distinguindo-a do coração e do vocábulo espírito se quer focalizar o princípio da vida intelectual. O intelecto (nous) proporciona uma visão em profundidade (intus legere - ler dentro).
Na filosofia tomista a pessoa humana é um corpo enformado por uma alma e uma alma que enforma um corpo. Contudo, como foi dito acima, os três aspectos referidos não rompem a unidade do ser humano, sendo apenas manifestações deste maravilhoso microcosmos, criado à imagem e semelhança de Deus.
Côn. José Geraldo Vidigal de Carvalho
8 de outubro de 2010DILMA, O PT, O ABORTO E A CNBB!
Esclareço aos meus leitores que considero, desde sempre, o aborto o crime mais cruel, desumano e violento que existe. Portanto, o vídeo de Dilma defendendo sua legalização não está aí ao lado apenas por que não desejo vê-la Presidente do Brasil. Se Serra tivesse a mesma posição, pela primeira vez na vida eu anularia meu voto.
Agora, peço que leiam esta nota da CNBB e entendam, tim-tim por tim-tim, a relação dos petistas e de Dilma Rousseff com o aborto.
APELO A TODOS OS BRASILEIROS E BRASILEIRAS
Nós, participantes do 2º Encontro das Comissões Diocesanas em Defesa da Vida (CDDVs), organizado pela Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB e realizado em S. André no dia 03 de julho de 2010,
- considerando que, em abril de 2005, no IIº Relatório do Brasil sobre o Tratado de Direitos Civis e Políticos, apresentado ao Comitê de Direitos Humanos da ONU (nº 45) o atual governo comprometeu-se a legalizar o aborto,
- considerando que, em agosto de 2005, o atual governo entregou ao Comitê da ONU para a Eliminação de todas as Formas de Descriminalização contra a Mulher (CEDAW) documento no qual reconhece o aborto como Direito Humano da Mulher,
- considerando que, em setembro de 2005, através da Secretaria Especial de Política das Mulheres, o atual governo apresentou ao Congresso um substitutivo do PL 1135/91, como resultado do trabalho da Comissão Tripartite, no qual é proposta a descriminalização do aborto até o nono mês de gravidez e por qualquer motivo, pois com a eliminação de todos os artigos do Código Penal, que o criminalizam, o aborto, em todos os casos, deixaria de ser crime,
- considerando que, em setembro de 2006, no plano de governo do 2º mandato do atual Presidente, ele reafirma, embora com linguagem velada, o compromisso de legalizar o aborto,
- considerando que, em setembro de 2007, no seu IIIº Congreso, o PT assumiu a descriminalização do aborto e o atendimento de todos os casos no serviço público como programa de partido, sendo o primeiro partido no Brasil a assumir este programa,
- considerando que, em setembro de 2009, o PT puniu os dois deputados Luiz Bassuma e Henrique Afonso por serem contrários à legalização do aborto,
- considerando como, com todas estas decisões a favor do aborto, o PT e o atual governo tornaram-se ativos colaboradores do Imperialismo Demográfico que está sendo imposto em nível mundial por Fundações Internacionais, as quais, sob o falacioso pretexto da defesa dos direitos reprodutivos e sexuais da mulher, e usando o falso rótulo de “aborto - problema de saúde pública”, estão implantando o controle demográfico mundial como moderna estratégia do capitalismo internacional,
- considerando que, em fevereiro de 2010, o IVº Congresso Nacional do PT manifestou apoio incondicional ao 3º Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3), decreto nª 7.037/09 de 21 de dezembro de 2009, assinado pelo atual Presidente e pela ministra da Casa Civil, no qual se reafirmou a descriminalização do aborto, dando assim continuidade e levando às últimas consequências esta política antinatalista de controle populacional, desumana, antisocial e contrária ao verdadeiro progresso do nosso País,
- considerando que este mesmo Congresso aclamou a própria ministra da Casa Civil como candidata oficial do Partido dos Trabalhadores para a Presidência da República,
- considerando enfim que, em junho de 2010, para impedir a investigação das origens do financiamento por parte de organizações internacionais para a legalização e a promoção do aborto no Brasil, o PT e as lideranças partidárias da base aliada boicotaram a criação da CPI do aborto que investigaria o assunto,
RECOMENDAMOS encarecidamente a todos os cidadãos e cidadãs brasileiros e brasileiras, em consonância com o art. 5º da Constituição Federal, que defende a inviolabilidade da vida humana e, conforme o Pacto de S. José da Costa Rica, desde a concepção, independentemente de sua convicções ideológicas ou religiosas, que, nas próximas eleições, deem seu voto somente a candidatos ou candidatas e partidos contrários à descriminalizacão do aborto.
Convidamos, outrossim, a todos para lerem o documento “Votar Bem” aprovado pela 73ª Assembléia dos Bispos do Regional Sul 1 da CNBB, reunidos em Aparecida no dia 29 de junho de 2010 e verificarem as provas do que acima foi exposto no texto “A Contextualização da Defesa da Vida no Brasil” (http://www.cnbbsul1.org.br/arquivos/defesavidabrasil.pdf), elaborado pelas Comissões em Defesa da Vida das Dioceses de
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou neste sábado, 7, uma nota sobre o caso da menina de 9 anos estuprada pelo padrasto que abortou de gêmeos com ajuda médica em Pernambuco. A entidade pediu punição ao padrasto na Justiça, mas mantém a oposição à interrupção da gravidez. Ontem, o arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, disse que o aborto é mais grave do que o crime de estupro e pedofilia cometido contra a menina. Veja também: Arcebispo rebate críticas de Lula sobre excomunhão em PE Igreja defende arcebispo de PE Médicos agiram dentro da lei em caso de aborto, diz Secretaria Jornais do mundo falam sobre caso de excomunhão e aborto Lula critica excomunhão de médicos por aborto em menina Igreja excomunga envolvidos em aborto de menina estuprada Equipe médica excomungada diz que não está arrependida Blog do Guterman: A interpretação burocrática da 'lei de Deus' Entenda o que dizem o Direito Canônico e o Código Penal Opine: qual ética o médico deve seguir nestes casos? " A CNBB acompanha perplexa(o caso). Repudiamos veementemente este ato insano e defendemos a rigorosa apuração dos fatos, e que o culpado seja devidamente punido, de acordo com a justiça", diz o texto, assinado por Dom Geraldo Lyrio Rocha, Arcebispo de Mariana e presidente da entidade. A CNBB, no entanto, classificou a decisão pelo aborto como apressada." Diante da complexidade do caso, lamentamos que não tenha sido enfrentado com a serenidade, tranquilidade e o tempo necessário que a situação exigia. Além disso, não concordamos com o desfecho final de eliminar a vida de seres humanos indefesos", acrescenta a nota. A menina de 9 anos abortou na quarta-feira passada em um hospital público de Recife (PE), um dia depois que o arcebispo de Olinda e Recife, Dom José Cardoso Sobrinho, tentou convencer a mãe da menor a desistir da ideia. Segundo os médicos, a menina corria risco de vida se levasse a gravidez adiante por não ter os órgãos reprodutivos formados completamente. A lei brasileira permite o aborto em casos de estupro e quando a gestante corre risco de vida. Dom José anunciou na quinta que adultos que tiveram alguma participação no aborto - os médicos e a mãe da criança - seriam excomungados. O arcebispo não excomungou o padrasto, que é suspeito de violentar a criança desde quando ela tinha seis anos de idade. "Esse padrasto cometeu um pecado gravíssimo. Agora, mais grave do que isso, sabe o que é? O aborto, eliminar uma vida inocente", disse ontem o arcebispo ao jornal Hoje, da TV Globo. Leia a íntegra da nota da CNBB: A Presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, reunida em Roma nestes dias, acompanha perplexa, como toda a sociedade brasileira, a notícia da menina de nove anos que, em Pernambuco, há três anos vinha sofrendo violência sexual por parte de seu padrasto, tendo sido por ele estuprada, do que resultou uma gravidez de gêmeos. Repudiamos veementemente este ato insano e defendemos a rigorosa apuração dos fatos, e que o culpado seja devidamente punido, de acordo com a justiça. Lamentamos que este não seja um caso isolado. Preocupa-nos o crescente número de atentados à vida de crianças, vítimas de abuso sexual. Neste contexto, a Igreja se faz solidária com esta e com todas as crianças vítimas de tamanha brutalidade, bem como com suas famílias. A Igreja, em fidelidade ao Evangelho, se coloca sempre a favor da vida, numa condenação inequívoca de toda violência que fere a dignidade da pessoa humana. Os bispos do Regional Nordeste 2 da CNBB acabam de se manifestar sobre esse doloroso acontecimento. Assumimos seu pronunciamento e com eles reafirmamos: "diante da complexidade do caso, lamentamos que não tenha sido enfrentado com a serenidade, tranquilidade e o tempo necessário que a situação exigia. Além disso, não concordamos com o desfecho final de eliminar a vida de seres humanos indefesos". Roma, 06 de março de 2009 Dom Dimas Lara Barbosa Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro Secretário Geral da CNBB Dom Luiz Soares Vieira Arcebispo de Manaus Vice-Presidente da CNBB Dom Geraldo Lyrio Rocha Arcebispo de Mariana Presidente da CNBB
Qual a posição da Igreja Católica sobre o aborto?
Um assunto que vem sendo amplamente discutido pela sociedade é a questão do aborto. Pessoas contrárias e favoráveis se degladiam nos mais variados lugares, em debates e até mesmo em supermercados.
Na verdade, o assunto veio à tona quando a ONU abriu, a 5 de setembro de 1994, a Conferência Mundial sobre População e Desenvolvimento, na cidade do Cairo (Egito). O objetivo do encontro era firmar um documento que garantisse à humanidade do próximo século um melhor padrão de dignidade e qualidade de vida. Contudo, o aborto tratado como método de planejamento familiar tornou-se o centro das questões e, ainda hoje, vários anos após o encerramento da Conferência, a polêmica continua.
Certamente a posição contrária ao aborto manifestada pela Igreja Católica durante a Conferência do Cairo (e também mantida durante toda a sua história) demonstra sua fidelidade à Palavra de Deus que defende a vida. Vejamos por que:
O aborto é uma afronta direta ao Quinto Mandamento: “Não matarás (Ex 20.13).
A ciência prova que a vida começa durante a fecundação do óvulo; nesse momento já existe vida, o que faz que aquele ser seja dotado de alma e conhecido de Deus (Jr 1,5).
Ao contrário do que pregam os defensores do aborto, não é de hoje que a Igreja condena o aborto. Trata-se de preceito bíblico: em Ex 1,8-21, lemos que quando os hebreus começaram a se multiplicar no Egito, o faraó incentivou o aborto, mas as parteiras não seguiram essa recomendação porque “temiam a Deus”.
O mais antigo catecismo usado pelos cristãos, a Didaqué, escrito no final do século I d.C., expressa claramente: “Não mate a criança no seio de sua mãe, nem depois que ela tenha nascido” (Did 2,2b).
Certamente o maior dom que Deus concedeu aos homens é a Vida. Torna-se inadmissível, portanto, que um cristão seja favorável ao aborto.
Aos que defendem que a mulher tem o direito de dispor de seu corpo, decidindo se deve ou não abortar, perguntamos: Será que o bebê que está naquele ventre faz parte do corpo da mãe? Ora, todos sabem que o embrião ou o feto não é um órgão da mãe, mas sim um outro ser humano.
Às mulheres que não desejam criar o filho que carregam no ventre, aconselhamos a doá-lo assim que o tiver. Não são poucos os casais que não podem ter filhos. Certamente não faltarão interessados! O que ocorre neste caso é que é muito mais fácil matar um ser que ainda não conhece e que, portanto, não lhe foi dedicado amor, do que tê-lo e doá-lo, pois depois de dar à luz, dificilmente a mãe venha a sentir ódio daquele ser tão pequeno e frágil.
Também é comum apelar-se para o aborto quando se sabe, por exames médicos, que o embrião ou feto possui alguma enfermidade que o levará à morte assim que for concebido. Por que não crer na providência de Deus? Quantos casos conhecemos de pais que, mesmo sabendo que seus filhos eram portadores de males fatais, resolveram tê-los e as crianças sobreviveram e muitas delas sem seqüelas? E quanto às que morreram? É bom saber que muitas crianças no país morrem por falta de transplante de órgãos do tamanho que precisam. Uma criança que morre logo após o parto pode doar seus órgão para crianças até 4 anos! É a morte que não gera outra morte, mas a Vida!
Dessa forma, podemos afirmar que o aborto, antes de ser um assunto religioso, trata-se de um direito humano: o direito à Vida!
A vida humana é que enfeita o universo. Assim nos diz o Salmo: “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, pelo sopro de sua boca tudo quanto os enfeita”
Introdução
Desde que Caim matou Abel (Cf. Gn 4, 8-16), o homicídio, nas suas mais diversas formas, entrou no mundo, e a vida passou a ser constantemente ameaçada. Deus se coloca como defensor da vida, pois até mesmo o assassino não pode ser assassinado, pois quem matar Caim será vingado pelo próprio Deus sete vezes (Cf, Gn 4, 15). Deus quer destruir a cadeia de morte que entrou no mundo, mas o pecado, ação livre e responsável das pessoas humanas, como que estendendo tentáculos, cria uma rede de ódio que gera uma mentalidade de morte, presente no mundo até os nossos dias.
1 – Deus é o doador da vida.
A presença da vida em nosso planeta é um dom de Deus. Foi ele quem ordenou o surgimento da vida vegetal (Cf. Gn 1, 11-12), a vida animal em todas as suas dimensões e características (Cf. Gn 1, 20-22) e, por fim fez o ser humano, conforme nos narra o Livro do Gênesis: “Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra, soprou-lhe nas narinas o sopro da vida, e ele tornou-se um ser vivente” (Gn 2, 7). Assim, por um dom divino, a vida surgiu na terra e evoluiu até os nossos dias. Mas a vida humana mereceu um destaque especial na obra da criação. A vida vegetal e animal surge e se desenvolve a partir de um imperativo divino, mas a vida humana surge e se desenvolve a partir de uma ação divina na qual o Criador se envolve com a criatura e dá a ela o seu próprio hálito como princípio vital. Sem o sopro divino, falta a vida (Cf. Ez 37, 7-11).
A vida humana é que enfeita o universo. Assim nos diz o Salmo: “Pela palavra do Senhor foram feitos os céus, pelo sopro de sua boca tudo quanto os enfeita” (SL 32 [33], 6), de modo que é a vida humana que dá sentido à toda obra criada já que o ser humano é como o sopro (Cf. SL 37 [38], 6.12; 143 [144], 9). Assim, toda obra da criação encontra o seu verdadeiro sentido a partir da vida humana.
Deus é o Senhor da vida. Até mesmo a vida dos poderosos está em suas mãos (Cf. SL 75 [76], 13) e dependem de seu sopro que vai e não volta (Cf. SL 76 [77], 39), pois nossos anos acabam como num sopro (SL 89 [90], 9). O Salmo assim nos diz: “Se escondes teu rosto, desfalecem, se a respiração lhes tiras, morrem e voltam ao pó. Mandas teu espírito, são criados, e assim renovas a face da terra” (SL 103 [104], 29-30). Também no livro da Sabedoria, o autor sagrado reconhece que Deus é o Senhor da vida e tem poder sobre ela quando reza: “Pois tu tens poder de vida e de morte, levas às portas da morte e de lá trazeis de volta” (Sb 16, 13). E o Deus da vida garante a continuidade do seu sopro vital. Somente Deus tem poder sobre o alento da vida (Cf. Ecle 8, 8). Nós não podemos acrescentar um minuto em nossas vidas (Cf. Mt 6, 27).
2 – Deus é o defensor da vida
Com razão, canta o salmista: “O Senhor é minha luz e minha salvação; de quem terei medo? O Senhor é quem defende a minha vida; a quem temerei?” (SL 27, 1). Ele coloca toda a sua confiança em Deus porque sabe que dele depende a sua vida e que ele a defende e a protege, pois a vida é preciosa aos seus olhos (Cf. 1Sm 26, 21). Sabemos que Deus é amigo da vida (Cf. Sb 11, 26) e por isso a defende. Ele não é a causa da morte, que não é obra sua nem seu desejo (Cf. Sb 2, ‘24). Deus não deseja a morte nem mesmo para o pecador, mas espera a sua conversão, porque a morte é fruto do pecado (Cf. Ez 18, 23). Deus não só defende a vida como também livra os que são conduzidos à morte (Cf. Pv 24, 11).
3 – A Lei divina – Não matarás!
Deus nos fez e somos dele (Cf. SL 99, 3). A vida humana não é propriedade humana. Nós pertencemos a Deus e qualquer ato contra a vida é um ato contra um bem do próprio Deus, que foi claro no seu mandamento: “Não matarás” (Ex 20, 13). Não matar é a expressão proibitiva do valor da vida, que é dado pelo próprio Deus. Não matar significa defender a vida em todas as situações de ameaça. Significa também valorizar a vida em todas as suas dimensões. É por isso que a Lei da Santidade explicita diferentes exigências e proibições no sentido da defesa e valorização da vida como, por exemplo, o cuidado com os pobres, a diminuição da fome, o compromisso com a verdade, o pagamento do salário em dia, a proibição da exploração e da extorsão, o respeito às pessoas com deficiências, a necessidade da justiça nos julgamentos, a proibição da maledicência, a condenação da conspiração contra a vida de outras pessoas, o respeito às pessoas idosas, o tratamento digno aos estrangeiros, a justiça no comércio, etc (Cf. Lv 19, 9-37).
A exigência da celebração jubilar a cada cinqüenta anos também é uma explicitação da valorização da vida pelo próprio Deus, pois nesta celebração, um dos elementos mais importantes é o resgate dos direitos e a preocupação com os empobrecidos (Cf. Lv 25, 23-43). O Livro do Deuteronômio acrescenta que no ano sabático (sétimo ano), deve haver anistia das dívidas, a generosidade com os pobres e necessitados e a libertação dos escravos (Cf. Dt 15, 7-18).
O Livro do Deuteronômio apresenta também um conjunto de maldições, sendo que várias delas estão relacionadas ao desrespeito à vida, como o desprezo aos pais, a invasão da propriedade alheia, desviar o cego do caminho, violar o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva, matar o próximo à traição e aceitar suborno para assassinar o inocente (Cf. Dt 27, 16-26).
4 – Os profetas e a defesa da vida
Uma das características principais do profetismo é a denúncia do pecado. No caso da defesa da vida, vemos que vários profetas denunciam a sociedade violenta de sua época. O profeta Isaías denuncia o fato de que a cidade de Jerusalém tornou-se morada de assassinos (Cf. Is 1, 21). O profeta Ezequiel também faz denúncias desse tipo quanto diz: “Aqui estou eu batendo palmas para denunciar a exploração que praticas e os assassinatos que em ti acontecem” (Ez 22, 13). Afirma também a presença de sangue derramado em Israel e em Judá (Cf. Ez 23, 44-45) e que a cidade está repleta de assassinos e de violência (Cf. Ez 7, 23). O resultado disso tudo é o sofrimento (Cf. Jr 4, 31).
Deus se posiciona contra esta situação de morte. O profeta Oséias nos diz que Deus abre um processo contra todos os que atentam contra a vida nas suas diferentes esferas (Cf. Os 4, 1-2), a quem o próprio Deus chama de criminosos (Cf. Os 6, 7-9) e responsáveis pela própria morte (Cf. Ez 18, 10-13).
Deus condena também a conduta de quem pratica a religião, mas não valoriza a vida. Assim fala o profeta Jeremias: “Estais colocando vossa confiança em palavras mentirosas, que para nada servem. Como é isso: roubar, assassinar, cometer adultério, jurar falso, incensar a Baal, seguir outros deuses que jamais conhecestes e, depois, entrardes e vos colocardes diante de mim, nesta Casa consagrada ao meu nome e dizer: ‘Estamos salvos!’, para continuardes cometendo todas essas vergonhas? Acaso esta casa consagrada ao meu nome tornou-se, ao vosso ver, um esconderijo de ladrões?” (Jr 7, 8-11).
Deus combate a injustiça e a violência (Cf. Hab 1, 17) e recompensa quem busca o bem, conforme narra o profeta Isaías: “Aquele que caminha na justiça e só fala a verdade, que se recusa a ficar rico com a exploração, que esconde a mão para não aceitar suborno, que tapa os ouvidos para não ouvir proposta assassina, que fecha os olhos para não apoiar a injustiça, esse vai morar nas alturas, o alto da rocha será seu refúgio” (Is 33, 17).
5 – A pessoa e a mensagem de Jesus
Jesus veio ao mundo para libertar os que jazem nas trevas da morte (Cf. Is 9, 1; Lc 1, 79; SL 106 [107], 10). Jesus dá a sua própria vida para nos libertar da morte (Cf. Mt 20, 28; Jo 3, 15-16). Ele é a própria vida que vem a nós (Cf. Jo 1, 6), o pão que desceu dos céus e dá vida ao mundo (Cf. Jo 6, 10). Jesus veio para que todos tenham vida e a tenham em abundância (Cf. Jo 10, 10).
Jesus, no Sermão da montanha, vai além. Além da proibição da morte física, nos mostra que não se deve matar moralmente (Cf. Mt 5, 21-22). Mostra também que a justiça de igual para igual não muda a situação de ódio (Cf. Mt 5, 38-42) e que devemos fazer tudo para superar as situações de inimizade (Cf. Mt 5, 43-48). Por fim nos coloca o critério para a defesa e valorização da vida: “Tudo, portanto, quanto desejais que os outros vos façam, fazei-o, vós também, a eles” (Mt 7, 12). É claro que todos desejam que a sua vida não seja ameaçada, mas defendida e valorizada em todos os seus estágios e em todas as suas dimensões.
A vida e a mensagem de Jesus também têm muito de profetismo. Jesus denuncia as formas de opressão que diminuíam o valor da vida, como a proibição de realizar curas em dia de sábado (Cf. Mt 12, 9-14) ou tomar, neste dia, providências para matar a fome (Cf. Mt 12, 1-8). Jesus também condena aqueles que fazem da religião uma forma de opressão ou de promoção pessoal (Cf. Mt 23, 1-12).
Os milagres de Jesus também nos mostram a sua postura de defesa da vida. Em todas as situações de ameaça à vida, vemos inicialmente que nos encontramos diante de uma doença grave que foi muito bem definida, como a lepra (Cf. Mt 8, 2), a paralisia (Cf. Mt 8, 6; 9, 1), febre alta (Cf. Mt 8, 14), demência que gera atitudes violentas (Cf. Mt 8, 28), menina morta (Cf. Mt 9, 18), mulher com corrimento (Cf. Mt 9, 20), cegueira (Cf. Mt 9, 27), incapacidade de falar (Cf. Mt 9, 32) e medo da morte (Cf. Mt 8, 25). Em todos os casos de cura, as pessoas procuram por Jesus (Cf. Mt 8, 2.6.25.29; 9,2.18.21.27.32) e, na ocasião, explicitam a sua fé (Cf. Mt 8,2.8.26.29; 9,2.18.21-22.27-28). Jesus, então, age, estendendo a mão (Cf. Mt 8, 3), mostrando a força de uma só palavra sua (Cf. Mt 8, 8.13.26.32; 9, 5), tocando a pessoa (Cf. Mt 8, 15; 9, 29) e até mesmo repreendendo as forças naturais (Mt 8, 26). Em seguida, as curas são confirmadas (Cf. Mt 8, 3.13.26.32; 9,7.22.25.30), causando reação dos espectadores (Cf. Mt 8, 16.27.34; 9, 8.26.31.33) e uma atitude especial de Jesus em relação às pessoas que foram curadas (Cf. Mt 8, 4.10-12.26; 9, 2-5.22.30).
Jesus tem o poder eficaz na recuperação da vida atormentando os demônios (Cf. Mt 8, 29) e curando todos os doentes (Cf. Mt 8, 16-17) de todas as enfermidades (Cf. Mt 9, 35-38) e o faz a partir de manifestações de fé (Cf. Mt 8, 10; 9,22.28-29).
5 – Conclusão
Deus é o doador e conservador da vida, mas exige de todos nós compromisso com a vida e maturidade diante dela. O Deus da história não quer que sejamos passivos diante das diferentes ameaças à vida, mas sim que, como protagonistas do momento histórico em que vivemos, sejamos capazes de construir novas relações fundamentadas nos valores que defendem e promovem a vida em geral e a vida humana em especial. Esses valores nos são revelados pelas Sagradas Escrituras, de modo que elas nos dão os princípios iluminativos para a nossa reflexão e ao mesmo tempo se constituem no fundamento do nosso agir.
O mistério pascal revela para nós a vitória definitiva do nosso Deus sobre a morte, pois Jesus esteve morto, mas ressuscitou e vive eternamente, o primogênito dentre os mortos que tem poder sobre a morte (Cf. Ap 1, 17-18), e nos convida para darmos a nossa contribuição histórica, através do compromisso de valorização e defesa da vida, para que a nossa realidade seja transformada, a cultura de morte seja substituída pela civilização do amor, que globalize a solidariedade e, assim, a vida humana aconteça cada vez mais de acordo com os princípios daquele que a doou. A vitória de Jesus é a garantia da nossa vitória porque, na verdade, estaremos participando da vitória dele, e esta garantia deve ser a força que nos impulsiona para a certeza da vitória sobre o pecado, a grande causa da morte no mundo.
* Pe. José Adalberto Vanzella é Secretário Executivo da Campanha da Fraternidade da CNBB
Fonte: CNBB
O avançar da civilização não conseguiu acabar com o medo e a desconfiança que o “outro” e o “diferente” nos inspiram.
Muros, muralhas e cercas fazem parte da história de uma humanidade sofrida, desnorteada e temerosa, sempre em busca de proteção e segurança.
No mundo bíblico, ganharam notoriedade as “Muralhas de Jericó”, destruídas pelo “povo eleito”, ao avançar contra as nações que ocupavam a Terra Prometida, e o “Muro das Lamentações”, onde ainda hoje os judeus ortodoxos choram as desgraças que, por sua vez, massacraram os vencedores de antigamente.
Dentre as muralhas antigas, a mais famosa é certamente a “Muralha da China”, com 6.000 km de extensão, iniciada no ano 220 antes de Cristo e concluída no século XV.
O avançar da civilização não conseguiu acabar com o medo e a desconfiança que o “outro” e o “diferente” nos inspiram. Os muros e as cercas estão em toda a parte, no campo e na cidade. São cada vez mais raras as residências que não dispõem de cerca elétrica. Os condomínios fechados, vigiados por guardas, já não são patrimônio dos grandes centros urbanos: chegaram às pequenas cidades do interior, onde, até ontem, as portas das residências permaneciam sempre abertas. Talvez nunca como hoje as companhias de segurança ganharam tanto dinheiro!
Se alguém pensou que, com a queda do Muro de Berlim, a 9 de novembro de 1989, a humanidade iniciasse uma época de paz e liberdade, se enganou redondamente.
A construção de muros continua ostensivamente em vários países.
Na fronteira entre Estados Unidos e México, o governo norte-americano está erguendo uma parede de concreto e aço, com oito metros de altura, que terá 1.127 km de extensão – quase um terço dos 3.141 km que separam os dois países. Serão investidos no projeto cerca de 7 bilhões de dólares. O motivo apresentado? Conter a imigração de clandestinos que, de todos os países da América Latina, se dirigem aos Estados Unidos em busca de melhores condições de vida.
No país que antigamente passava por “Terra Santa”, em junho de 2002 Israel iniciou a construção de um muro de defesa ao longo dos 650 km de fronteira com o Estado Palestino. A barreira, composta de arame farpado, fossas, cercas eletrônicas e 360 km de placas de concreto, com até 9 metros de altura, tem por finalidade – segundo as autoridades israelenses – defender-se dos atentados palestinos.
Mas não precisamos ir tão longe: até em Foz do Iguaçu está sendo projetado um muro de 1 km de extensão e três metros de altura, sob a ponte da Amizade, para tentar impedir o contrabando do Paraguai para o Brasil.
Com o progresso trazido pelo século XXI, os muros e as cercas começam a ser mais sofisticados, como acontece na Arábia Saudita: ela pretende construir uma barreira eletrônica, com o propósito de vigiar seus 900 km de fronteira com o Iraque.
Mas, será que os muros e as cercas são a melhor maneira para se defender? A resposta só pode ser negativa. Apesar de todos os meios de segurança, os ladrões continuam assaltando e a violência aumenta em toda a parte. A verdadeira segurança é diferente, bem mais difícil e complicada, porque passa pela justiça social e pela solidariedade humana. É mais fácil construir presídios e armar a polícia do que mudar os corações!
É inútil buscar seguranças externas quando não temos a segurança interior! E a segurança interior é fruto de uma consciência serena, em paz consigo mesmo e com Deus.
Apesar de social por natureza, sempre em busca de afeto e apoio, o homem – tremenda contradição! – é levado a olhar para seus semelhantes com desconfiança, desdém e agressividade. Se se pudesse parafrasear São Paulo, diríamos que ele recorre a «armas ofensivas e defensivas, à direita e à esquerda», só que, diferentemente do Apóstolo, nem sempre em defesa da justiça (Cf. 2Cor 6, 7). Isso porque toda a estrutura social e até mesmo cultural – quando não somos alimentados pela fé – se fundamenta sobre o confronto e a concorrência.
Precisamos aprender a construir pontes, ao invés de muralhas. Pontes na família, incentivando o diálogo entre marido e mulher, pais e filhos; pontes entre Igrejas e religiões, pois é muito mais o que nos une do que o que nos separa; pontes entre patrões e operários, fazendeiros e índios, partidos políticos e movimentos populares, pastorais e comunidades eclesiais. Quanto mais pontes, menos haverá lugar para os muros!
A opção pelas cercas demonstra que não estavam completamente enganados os antigos latinos ao moldarem um provérbio que fez época: «Homo homini lupus: o homem é lobo para o homem».
De fato, muitas vezes, as cercas e os muros que cercam nossos países e nossas propriedades nada mais refletem senão as as cercas e os muros que mantêm enclausurados os nossos corações! Por isso, quando se sentir sozinho e chateado, saia de sua prisão e lance uma ponte com quem está ao seu lado!
* Dom Redovino Rizzardo, cs, é bispo diocesano de Dourados (MS)
Esse mesmo sudário que hoje deixa boquiabertos os cientistas já escapou de guerras, incêndios e todo tipo de catástrofe.
"Para aquele que tem fé, nenhuma explicação é necessária. Para aquele que não tem fé nenhuma explicação é suficiente". Mas para ambos um milagre inexplicável surte diferentes efeitos. Aquele que crê, vê confirmada a sua fé pelos sinais de Deus, já para o que não crê fica patente que nenhuma prova material e humanamente inexplicável dos sinais de Deus possa ser o gerador da fé, essa última é anterior a tudo, e portanto mais que necessária. Pois sem ela a compreensão do fato comprovado cientificamente será sempre incompleto. O descrente ao conhecer a maravilha do Sudário poderá sem dúvida afirmar que Jesus existiu e realmente foi crucificado, já, aceita-lo como seu salvador, só pela fé e nada mais.
Atualmente muitos são os recursos que o homem dispõe para atestar ou contestar a veracidade de fatos históricos, a ciência consegue aproximar-nos do passado dando uma idéia bastante fidedigna de coisas que ocorreram há centenas de anos. Quanto mais recursos o homem dispõe mais próximo ele chega da verdade única e universal de Jesus. A ciência e religião não se contrapõe, pelo contrário, se complementam justamente no seu fim único que é a busca da verdade. É desse ponto de vista que quero tratar este assunto do Santo Sudário de Turim, uma relíquia que desafia a ciência e fortalece a fé daqueles que esperam em Deus.
O QUE É O SUDÁRIO?
O Sudário de Turim, é o pano mortuário que envolveu o corpo de Jesus Cristo. A utilização desse tipo de mortalha é historicamente comprovada não somente entre os judeus dos tempos de Jesus mas também de várias outras culturas e até hoje é utilizado. Muito embora as pesquisas científicas independentes e inter-disciplinares que confirmam a veracidade do Sudário sejam recentes, esse já era conhecido e venerado há muitos séculos. Já por volta do século 4 DC foi reencontrado o "Madylion de Edessa" que os pesquisadores identificam com o Santo Sudário.Com 4,36 m de comprimento por 1,10m de largura e uma espessura de 0,34 mm é um pano de linho puro, tecido num tear manual de cor original branco-marfim. As origens do Sudário foram objeto de inúmeras controvérsias, a que mais resistiu ao tempo foi a tese de que o Sudário seria um tecido pintado com maestria sobre-humana por um hipotético artista da idade média, tese essa que desabou completamente após os estudos promovidos pelo "Grupo Sturp" - cientistas multi-disciplinares que analisaram o Sudário - e pelos mais avançados testes que a ciência moderna pôde oferecer.
Um forte argumento com relação a origem do Sudário é que entre suas fibras foram encontradas vestígios de fibra de algodão próprio do oriente médio pois o algodão não era cultivado na Europa durante a idade média.
Verifica-se também que sua superfície esta manchada de sangue revelando uma forma humana. As "coincidências" com o que é descrito nos Evangelhos é aterradora nos mínimos detalhes, não foi pintado, o tipo sangüíneo encontrado no sudário é o mesmo de 95% dos judeus da região e milagrosamente o mesmo do Milagre de Lanciano, a sagrada hóstia que se transformou em carne e sangue há 12 séculos e até hoje não se putrefez.
Esse mesmo sudário que hoje deixa boquiabertos os cientistas já escapou de guerras, incêndios e todo tipo de catástrofe. Sugere inclusive que essa magnífica sobrevivência tinha um propósito mais claro ainda para o homem moderno, já que através da ciência se vê confirmado tudo aquilo que por séculos se considerou legendário e fantasioso a respeito do próprio Sudário, da morte de Cristo e sua ressurreição. Exatamente, ressurreição, pois o pano não mostra sinais de ter sido esticado ou arrancado do cadáver que envolvia, pois não há marcas do sangue sendo borrado e nem da figura nele impressa estar em desfoque ou que esse mesmo corpo tenha apodrecido enquanto envolto por aquela mortalha, mais magnífico o fato de não haver explicação científica do porque aquela imagem tridimensional estar tão perfeitamente impressa num tecido que não apresenta nenhum vestígio de tinta.
O Sudário mostra igualmente detalhes desoladores a respeito da forma como Jesus fora torturado e depois morto. O corpo está cheio de lacerações profundas, as costa especialmente demonstram que foi açoitado impiedosamente já que há marcas de que a carne teria sido feita em pedaços e arrancada em tiras pelo "flagelum" (chicote), o que evidencia o ódio que se tinha do Senhor, pois na época não era permitido que alguém recebesse como pena máxima mais que 30 chibatadas e como descrito no Sudário, Jesus recebeu muito mais, se não fosse pela cruz, certamente a flagelação o teria matado antes. Seu rosto está cheio de deformações ocasionadas por socos e bofetadas, seu nariz mostra-se quebrado.
Mas as coincidências não param, o Sudário mostra claramente no lado esquerdo as marcas de sangramento e contornos de uma ferida profunda que corresponderia à perfuração de lança feita por um soldado quando o Senhor jazia já morto na Cruz. Os ossos das pernas não foram quebrados como descreve os Evangelhos, coisa rara já que os ossos das pernas dos que eram crucificados após algumas horas eram quebrados a pauladas para que não podendo mais se apoiar morressem mais rapidamente já que poderiam durar dias ainda vivos nas cruzes, sem o apoio das pernas o crucificado morria rapidamente de insuficiência respiratória provocada pelo estiramento dos braços e rápida falência do diafragma ocasionada pelo excesso de acúmulo de ácido lático nesses músculos, o Sudário demonstra claramente isso quando se nota o ventre da imagem entumecido. Uma outra evidência revolucionária é o fato da imagem demonstrar que os cravos que o prenderam na cruz não atravessaram a palma das mãos e sim os pulsos pois comprovadamente as palmas das mãos se atravessadas por cravos não suportam mais que 40kg (comprovação através de testes em cadáveres efetuada pelo grupo STURP). Esse fato vem dar mais credibilidade ao sudário provando que o mesmo não foi pintado na idade média como se supunha antes das pesquisas pois a representação da crucificação feita universalmente mostrava cravos nas mãos, representação essa que persistiu até nossos dias. Mas não falemos de tudo ainda, venha conosco e saiba mais uma vez que A FÉ TINHA RAZÃO.
ós não podemos dizer que amamos a Deus se não amamos os nossos irmãos. Deus nos criou para amar a Ele e aos nossos irmãos por amor a Ele...
"Amarás o teu próximo como a ti mesmo"
Nós não podemos dizer que amamos a Deus se não amamos os nossos irmãos. Deus nos criou para amar a Ele e aos nossos irmãos por amor a Ele, por isto não basta amar a Deus e amar o homem de forma separada e de uma maneira qualquer.
Nós amamos por que Deus nos amou primeiro e Ele nos dá, como ponto de referência e parâmetro do amor que devemos ao irmão, o amor que temos por nós mesmos.
Uma coisa é certa: PARA AMAR OS OUTROS É PRECISO AMAR ANTES A SI MESMO. Precisamos aprender a nos amar, a termos a justa estima de nós mesmos, a verdadeira imagem, a auto-imagem correta e normal, isto é, saber que a nossa imagem se acha fundamentalmente dotada de elementos positivos, com contornos limitantes que dificultam o agir, mas não constituem a essência do nosso ser. O centro do ser é positivo, mas no seu todo o ser é limitado. Esta é a condição humana. Existem em todo homem e em toda mulher virtudes e defeitos, riquezas notáveis e impulsos incoerentes com a estrutura pessoal, mas que são parte dela. Quem se desvaloriza ou então quem acredita ser mais do que os outros, dificilmente é um bom amigo de si mesmo. Cada qual, de fato, tem a própria medida. Não tem sentido aspirar a coisas muito grandes, como também é um absurdo julgar-se um miserável.
É sábio quem procura a própria medida, porque, na verdade, é aquela que mais lhe assenta, isto é, se identificar a nível ontológico. Somente neste nível podemos perceber a positividade radicadaem nossa natureza de homens e de criaturas de Deus, chamados a ser conformes à imagem de seu Filho.
A autêntica experiência de Deus nos leva ao amor de nós mesmos. Quanto mais conhecemos a Deus, mais descobrimos que ele nos ama. Quanto mais nos aproximamos da fonte do amor, mais nos tornamos sempre mais dignos de amor.
O AMOR AO PRÓXIMO:
Chegados a este ponto, é possível amar o próximo. Somente uma pessoa em paz consigo mesma pode amar também o irmão. E o amará precisamente como ama a si mesma. Terá um amor que não está fundamentado nas qualidades e defeitos, mas que vê o valor radicado em seu próprio ser, isto é, não basta não pensar bem, não se trata de fechar os olhos sob aspectos negativos dos outros, nem simples gesto de cortesia. O amor verdadeiro leva a uma percepção profunda do outro, a um olhar agudo e límpido para descobrir o valor interior do outro, a um abrir-se a verdade do outro, quer dizer, TODO SER HUMANO É DIGNO DE SER AMADO, INDEPENDENTEMENTE DE SUA CONDUTA OU DE SEUS MERECIMENTOS E QUALIDADES. O amor aos nossos irmãos deve estar ligado aos valores fundamentais da sua existência e como tal é incancelável, apesar da sua aparente indignidade.
A estima sincera do outro é o primeiro ato de amor, mas eficaz, significativo e verdadeiro, pois um ato de caridade sem a estima sincera do outro, é apenas beneficência, que pode provocar humilhação ou engano, e nós não somos chamados a sermos apenas beneficentes, mas bondosos e amorosos com os nossos irmãos.
É sinal de estima sincera e de amor verdadeiro estimular o outro para o seu bem, que é estimular o ou outro para o centro da vontade de Deus. Descobrimos então a relação direta e indireta entre a imagem que temos do outro e seu crescimento, porque muitas vezes assumimos conscientemente, ou não, um comportamento que induz sutilmente o outro a agir de acordo com a imagem que tínhamos feito dele: quanto mais formos rígidos nessa imagem mais estimularemos o comportamento correspondente. Muitas vezes estimulamos o outro a ser exatamente aquilo que, depois, contestamos e condenamos (naturalmente sem má intenção).
Precisamos entender que até mesmo a simples maneira de ver o outro tem influência sobre ele e sobre a imagem que ele tem de si, como os julgamentos, mesmo os que não manifestamos, e o tipo de relacionamento que estabelecemos com ele.
A caridade verdadeira nasce do coração e do modo de ver o outro na sua verdade, no seu valor como pessoa, como ser humano. É ingênuo pensar que podemos ser caridosos simplesmente porque não manifestamos nossos julgamentos negativos, iludindo-nos de poder cobrir tudo com o amor. É importante sabermos separar a fraqueza do irmão e o seu valor como pessoa para assumirmos a responsabilidade de que temos por ele e pelo seu crescimento. Portanto com as suas quedas eu sofro, com suas virtudes fico feliz, com o seu sofrimento procuro ajudá-lo. Não é possível sermos santos e agradar a Deus, sem tomar conhecimento de quem está ao nosso lado. Muitas vezes ignoramos "onde estava" nosso irmão, como Caim, que não quis se sentir responsável pelo irmão (Gen 4, 9).
A experiência de Deus que não passa pelo irmão é apenas ilusão, e da ilusão não pode vir amor verdadeiro e sincero.
Quem estima sinceramente seu irmão se sente responsável por ele, pela sua salvação, fará de tudo para estimulá-lo, dia-a-dia, para o bem, para Deus. Mesmo que o irmão se desvie do verdadeiro bem com o seu comportamento, não deixará de descobrir e crer na sua capacidade positiva de melhorar, porque ele é muito melhor do que parece e poderá ser fiel àquele projeto que Deus tem para ele. Essa confiança no outro é uma força estimuladora, é maior do que o pecado e gera:
- A força de vencer o mal porque é capaz de redescobrir o bem ou de salvar a intenção, de dar novamente esperança ou de convidar o outro de novo a caminhar para Deus, nem que seja juntos quando o outro não está muito interessado.
- Pode mudar o irmão, ainda que a longo prazo, com muita paciência e discreção, sem paternalismo, mas com desejo sincero de levá-lo a crescer na amizade com Deus.
- Desta forma torna-se para o irmão um canal da graça de Deus, pois sua Palavra e vida transmitem-lhe, direta ou indiretamente, mas sempre com entusiasmo e convicção, a mesma mensagem da busca comum de Deus.
É um amor que se caracteriza pela preocupação pela existência do outro. Realiza-se no dar sem expectativa de retribuição, em viver sem esforço o dom daquilo que é necessário à pessoa amada.
A sexualidade é transformada em nível mais alto, em sentimento oblativo. O amor em tal contexto supera dia após dia suas limitações e tende a expandir-se até o nível da região profunda do ser, indo aí desfrutar de suas riquezas.
Quando duas pessoas vivem neste clima espiritual, o encontro significa comunhão verdadeira porque é uma comunhão a nível do ser. Existe tamanha reciprocidade que permite alcançar o nível da unidade, da comunicação e da gratuidade. A comunhão é tão forte que se chega a desejar dar a vida pelo outro, a ponte de não hesitar em derramar o próprio sangue, se necessário. É um amor onde quase não há lutas, necessidades, expectativas. Tem como recompensa única a alegria da própria pessoa amada. É este amor que vê no outro um valor enorme, e ao mesmo tempo relativo ao amor que dar a Deus. É um amor gratuito, feito de presença, de proximidade, atenção e serviço (aquilo que é meu é teu). Este amor supera o instinto e o sensível. "É osso dos meus ossos, e carne da minha carne" (Gen 2, 23).
O QUE É A VERDADEIRA AMIZADE:
O verdadeiro amigo não adula e nem rejeita o outro, mas o estimula a amar como ele ama. Isto é que é a sua felicidade, amá-lo como a si mesmo.
Não é um tipo de piedosa associação de ajuda mútua que procura eliminar a solidão através de gratificações recíprocas, mas que na prática acaba por frear a caminhada de experiência de Deus e de maturidade humana.
Nossos relacionamentos não devem ser de apenas bons vizinhos, muito superficiais para serem fonte de estímulo recíproco na busca de Deus.
Não deve existir entre nós ciúmes, competições, dominações, pois não somos propriedade dos outros e nem os outros são propriedades nossas. Não podemos querer que os outros sejam conforme nós imaginamos ou desejamos, antes devemos amá-lo a partir daquilo que nos incomoda nele. Não amamos para transformar ninguém e sim para levá-los a experiência com Deus, para levá-los ao amor de Deus, para levá-los a verdade de Deus e isto não se realiza pela força das nossas palavras, nem pelas nossas criticas. Não podemos levar os nossos irmãos no peito e na raça, tentando enquadrá-los dentro daquilo que gostamos e que aceitamos.
Caminhos para crescer no amor
1.Atenção ao outro (como Maria): a Deus e aos homens.
2. Comunicação profunda com o outro: capacidade de expressar através da linguagem todo seu dom e também capacidade de escutar em profundidade.
O QUE SIGNIFICA ESCUTAR EM PROFUNDIDADE:
Entrar no mundo da interioridade do outro com o coração disposto a acolher, não julgar, serenidade e calma, paciência, interesse pelo outro e pela vida que leva, por seus sentimentos. A comunicação não exige muito falar. Comunicar não significa perder a autonomia e a liberdade de pensamento.
3. Respeito pela autonomia do outro:
O amor profundo não manipula as pessoas, como se manipula objetos, porque só existe verdadeiro crescimento a partir de dentro. O respeito pela autonomia do outro é amor porque onde existe respeito tem-se uma presença discreta, que não impõe, que não ergue barreiras e obstáculos; a fé constante na capacidades de auto-desenvolvimento das forças vitais que orientam o outro para aquilo que lhe faz bem.
A maioria das pessoas tem o secreto e inconsciente receio de que a autonomia do outro crie problemas, traga obrigações e por isso tende a oferecer inúmeros conselhos, a ficar projetando soluções.
Amar é pôr-se diante do outro numa atitude de grande respeito por suas opções e tomadas de decisão, suas demoras, seus ritmos de crescimento, para que sua autonomia amadureça sempre mais e a relação vá progredindo em direção à profundidade.
4. Expressão de amor profundo:
O amor tem que traduzir-se em atos que exprimam aquilo que se vive, traduzir-se em gesto que gerem outro amor. Não basta dizer a uma pessoa que você a ama. É necessário também que ela o perceba através dos atos, faça o que for necessário para que, de sua parte, floresça a confiança, a familiaridade, a intimidade.
Que expressão escolher? Como manifestar o amor profundo?
dar o melhor de si mesmo ao outro. Todas as suas expressões sensíveis e visíveis deveriam seguir essa trajetória (a sensibilidade, os impulsos, a própria sexualidade).
Exemplos: uma saudação, uma carta, um encontro, o tratar-se com familiaridade e intimidade, um aperto de mãos, um beijo, um gesto de carinho, uma ajuda esperada, a lembrança de uma data particular, uma palavra de estima, de conforto e de estímulo.
Dar alguma coisa ou dar-se a si mesmo a uma pessoa implica uma renúncia que empobrece, mas esta renúncia produz alegria, pois o ato de dar produz mais alegria do que o de receber, não pela privação ou pela renúncia em si, mas pelo dom que exprime a própria vitalidade oblativa, a própria fecundidade.
Este movimento de dar provoca o crescimento do outro que recebe e de quem dar. Nem sempre no dom há alegria, e tanto mais falta alegria quanto mais estiver presente a procura de si mesmo. Mas sempre há alegria quando a pessoa se preocupa ativamente com a vida e o bem daquele que se ama e ao qual se dá alguma coisa. O amor se torna assim não um gesto sentimental, mas um ato originado pela "vida profunda", que intui no outro uma necessidade, confessada ou não, e lhe dá socorro, prevenindo-a.
5. O amor leva ao conhecimento da pessoa (ver além das aparências):
Sem conhecimento não existe amor. O conhecimento da pessoa que se quer amar não se detém na periferia, mas chega ao fundo de sua vida e de seu ser. Amar é conhecer o núcleo desta vida e deste ser escondido nela. Toda pessoa é muito mais do que aquilo que aparenta aos olhos dos outros.
Vocês sabem porque é que foi escolhido setembro? Porque 30 de setembro é o dia de São Jerônimo, doutor e mártir da Escritura.
... O que é a nossa escuta, também do que é a nossa acolhida da Palavra a ser pronunciada pelo silêncio. E essa vai ser a nossa reflexão de hoje: Palavra e silêncio diante da Palavra de Deus. Todos nós sabemos que esse mês é o mês da Palavra. A Igreja aqui do Brasil dedica de forma especial setembro a ser o mês da Bíblia, é uma reflexão sobre a Bíblia. Vocês sabem porque é que foi escolhido setembro? Nunca se perguntaram? Porque 30 de setembro é o dia de São Jerônimo, doutor e mártir da Escritura, então a Igreja pega o mês de setembro exatamente da festa de são Jerônimo, da memória de São Jerônimo. Jerônimo é conhecido na Igreja como doutor e mártir da escritura.
Ele traduziu a Bíblia, chamada vulgata, a tradução da Bíblia idioma original para o latim, foi um dos trabalhos mais importantes para a antigüidade, para o conhecimento da Bíblia. Ficou muito conhecido pelos seus comentários, recebeu o título de doutor e mártir, é por causa disso que a festa dele é comemorada em setembro, a Igreja aqui do Brasil de maneira especial escolheu esse mês para rezar sobre a Bíblia, para que os cristãos pensassem sobre a importância da Bíblia, meditarem sobre a palavra de Deus.
Para iniciar vamos tomar nossa Bíblia no Evangelho de João, capítulo 1, 1-3. "No início era o Verbo, o verbo estava voltado para Deus e o verbo era Deus..."
No início era a Palavra e a Palavra estava voltada para Deus, e a Palavra era Deus. Então a Palavra está desde o início em Deus, o verbo existe em Deus, a Palavra é o próprio Deus, é o verbo divino, segunda pessoa da Santíssima Trindade, então pré existe, sempre existiu. Então nós podemos pensar em Deus como uma comunidade de auto comunicação, Deus sempre foi trino.
Vocês sabem disso muito bem, a realidade da trindade, a dinâmica interna da trindade. O Pai gera o Filho no momento eterno, sempre há Pai, Filho e Espírito Santo, o Deus sempre foi comunidade, comunicação. Nosso Deus é um Deus de extrema comunicação, Deus trino, está sempre dialogando, numa eterna comunicação de amor. A Palavra sempre existiu no seio da Trindade, o verbo divino. E qual é a dinâmica que nós temos na Trindade o Filho se abre inteiramente ao Pai que acolhe inteiramente a doação do Filho e se devolve em doação de amor. E essa doação de amor do Pai e do Filho, esse acolhimento, esse diálogo tem um intento, é o próprio Espírito Santo, a Pessoa Dom, a Pessoa amor, aquele que é essa própria ligação de amor entre o Pai e o Filho, essa própria comunicação, essa própria realidade de amor entre o Pai e o Filho, é o Espírito. Pois Deus é sempre essa comunidade comunicante, comunicadora. A Palavra sempre existe no seio da Trindade, Palavra entendida no sentido de expressão de si mesmo, Deus sempre foi comunicação de amor de Deus, tudo foi criado por essa palavra, que é uma palavra de amor, e como diz João: "Tudo foi feito por meio dele e para ele, tudo foi feito por meio dele e sem ele nada que existe foi criado". Tudo foi criado por meio da Palavra e para a Palavra, para Jesus. Nessa expressão que amou a criação, há quem diga.
A criação se compara como a grande explosão do amor divino, Deus explode na criação seu amor. A realidade de Deus comunicante de Deus interna; se expressa na criação se formos ver o texto de Gênesis, a criação faça-se isso, faça-se aquilo e de uma maneira especial no texto da criação do homem há uma mudança. Já notaram isso? Ele diz, faça-se isso, faça-se a luz, faça-se os luminares, mas na criação do homem ele diz: "Façamos". Aí a patrística, os padres da Igreja sempre viram nesse versículo a Trindade já aparecendo, meio encoberta. A Trindade já se manifestava de forma encoberta não aberta, porque só Jesus quem vai revelar, mas já velada, porque os padres da Igreja dizem que a Trindade já aparece nas páginas do gênesis "façamos o homem". E pra gente o que interessa é esse façamos até como uma realidade de comunicação, "façamos o homem" . É Deus numa comunicação de amor. É a criação do homem como comunicação de amor, "façamos o homem a nossa imagem e semelhança". Deus que se comunica, Deus uno e trino que se comunica e a própria criação como realidade, como fruto dessa comunicação de amor divino. Toda criação é criada na harmonia da comunicação divina. No emite a harmonia da comunicação, da comunicação de Deus, participando dessa comunicação de Deus, tanto que lá no Gênesis Deus passeia pelo parque, e o homem conhece os passos de Deus, como mostra a realidade logo após o pecado. E Deus passava para quê/ para se entreter como o homem, pra conversar com o homem ele participava dessa harmonia da comunicação divina, da comunicação divina, comunicação de amor. O homem estava inserido nessa comunidade de amor que é a própria realidade da trindade. O homem foi criado nessa comunicação de amor e para participar dessa comunicação de amor.
O frei Cantalamessa, tem um texto muito bonito onde ele diz que Deus escreve em dois miúdos manifesta sua realidade, na própria criação e na Sagrada Escritura. É algo que desde o início os padres da Igreja também disseram. O que é que santo Agostinho escreve? "Interroga as belezas das criaturas, interroga e ela vai te dizer que é aquele que é mais, é mais belo". Quer dizer, tudo, toda a criação, tudo aquilo que existe está envolvido na própria perfeição da comunicação divina, é fruto da comunicação de amor. Então em todo criado, está escrito o amor de Deus. Está escrito de que forma? Na Criação, nós podemos ler Deus na Criação. Porque? Porque toda a criação é uma comunicação de amor de Deus. Por isso que Agostinho vai dizer: "Interroga aos mares, interroga as montanhas, interroga a bela de tudo o que já, e ela vai te dizer aquele que é o belo, que é Deus. Toda a criação, a gente vai compreender como uma grande comunicação de amor onde Deus comunica o seu amor e o deixa escrito em toda a criação. Mas em determinado momento entra um ruído na criação. – Eu estudei comunicação antes de entrar na comunidade. A gente chamava de ruído, de comunicação quando você emite uma mensagem e a pessoa já não recebe aquilo que você fala. Quem nunca brincou de telefone sem fio, você começa dizendo uma coisa aqui e quando chega lá no final já está totalmente diferente, uma mensagem que não tem nada a ver com aquilo que você falou. Isso é ruído de comunicação, o barulho entrou aí e perturbou a mensagem. E na história da humanidade entra o ruído de comunicação, que é exatamente o pecado. Tudo foi criado como uma grande comunicação de amor de Deus. Deus comunicando seu amor, o diálogo amoroso da Trindade que diz: "Façamos" o homem nesse diálogo de amor para que o homem participe de nosso diálogo de amor. Para que o homem participe dessa realidade, harmonia da comunicação do amor". Mas o homem passa a escutar uma outra voz, que não é a voz de Deus, que é exatamente a voz do demônio, que é o pecado original. Deus disse isso. Ah! mas Deus disse para você não comer, porque Deus não queria que vocês fossem cientes do bem e do mal, porque no dia que vocês comessem do fruto proibido vocês vão ser como deuses. Então, que é que o demônio está fazendo? Ele está pegando a comunicação de Deus e está deturpando. A palavra de Deus no ouvido do homem, é isso que ele faz. Ele perturba a própria comunicação, ele vai misturar as coisas, vai ser um ruído de comunicação. A mensagem de Deus que é uma mensagem de amor é uma mensagem de harmonia, o demônio vai perturbar um pouco aquela harmonia. O homem vai tirar sua atenção de Deus, da sua comunicação com Deus e vai voltar-se para si e vai perder a comunicação de Deus que é exatamente o pecado entrando na criação. O que é o pecado? O pecado sempre é uma ruptura da comunicação com Deus, da harmonia com Deus, é um dar as costas para Deus, é o deixar de escutar a Deus, deixar de entreter-se com Deus para querer entreter-se consigo mesmo. Ser Deus, sem Deus, foi esse o pecado original. Sereis como deuses, ou seja, eu não vou precisar mais de Deus. Então o homem ia deixar de escutar, de participar da comunicação plena com Deus. Aí entra o pecado que fere a comunicação, fere exatamente essa harmonia que havia entre criação e criador, perturba tudo já não há mais entendimento. Mas ao mesmo tempo que isso acontece Deus não desiste do homem, ainda que o homem tenha ferido a comunicação, o que é que a gente encontra logo depois do texto do pecado, que é chamado pelos antigos de proto evangelho? Professores?!
Gênesis 3 "Porei inimizade entre ti e a serpente..." Essa coisa toda, isso é chamado pelos antigos de Proto Evangelho, ou seja, o primeiro anúncio de que virá a salvação, logo depois do pecado Deus não abandona o homem, Deus não abandona a comunicação com o homem, ainda que o pecado tenha rompido e ferido diretamente a harmonia e a comunicação. Mas Deus não desiste do homem, então Deus começa agora a estabelecer uma nova comunicação do homem para novamente atrair o homem para a unidade que foi perdida pelo pecado. O pecado foi uma ruptura era necessário agora trazer o homem de volta, estabelecer contato novamente com o homem, aí vai começar aquilo que nós chamamos de Economia da salvação. O que é economia da salvação, é todo trabalho de Deus atrás do homem, todas as coisas que Deus vai fazendo para aproximar o homem de novo a Ele. É desde Gênesis, com Noé, a aliança com abraão, com Isaac, com Jacó, José do Egito, Moisés, Josué, tudo isso e vem os juizes, os reis, os profetas, tudo isso é economia da salvação. É Deus se movimentando e entrando na história dos homens para poder atingi-los novamente, para poder chamar o homem de novo. Deus vai começar a falar de novo para o homem, se revelar novamente para dar a entender ao homem quem Ele é de novo, porque o homem tinha perdido a capacidade de escutá-lo. Aquela harmonia que existia no início, quando Ele participava inteiramente é uma coisa rompida pelo pecado, então Deus começa a tratar com novo diálogo, a estabelecer um novo diálogo com o homem, através da economia. E Deus começa um processo de auto-revelação, ou seja, Deus começa a rasgar o véu e mostrar quem Ele é. Aí nós vamos ver até onde é o ponto máximo dessa auto revelação de Deus, dessa economia da salvação: Jesus Cristo, porque Jesus Cristo vai dizer tudo. Novamente Jesus Cristo vai pegar o homem e vai trazer de volta para aquele ponto de onde ele havia saído, ou melhor, um ponto a mais de onde ele havia saído, um ponto superior de onde ele estava, ele vai restabelecer a harmonia. Novamente em Jesus o homem vai ouvir a voz de Deus, vai voltar a conhecer a Deus.
Vamos ver Heb. 1, um texto muito interessante onde o autor coloca essa realidade. Diz em Hebreus 1: "Depois de ter por muitas vezes e por muitos modos falado outrora aos pais e os profetas, Deus, no período final em que estamos... Então Deus vai revelar tudo no Filho, vai começar o processo até chegar em Jesus ele fala tudo e a Palavra se encarna, Jesus que é a própria Palavra se encarna no meio de nós, a Palavra de Deus se faz carne, se faz totalmente possível de ser entendida pelos homens, a palavra de Deus entra na nossa história, a palavra de Deus que tinha sido rompida pelo pecado, essa Palavra se encarna e o homem novamente pode ouvir, entender e acolher a Palavra de Deus, é o ponto máximo da comunicação de Deus com os homens, Deus comunica ele mesmo. "Filipe quem me vê, vê o Pai", Deus comunica quem é ele aos homens.
João Paulo II no Documento Dominum Et Vivificantem aquele do Espírito Santo, ele vai dizer que auto comunicação de Deus atinge seu ponto máximo na encarnação do Filho, porque a encarnação de Jesus, aquilo que nós chamamos de união hipostática (todo mundo sabe o que é, não vou nem explicar). Homem e Deus unido na Pessoa de Jesus Cristo, natureza humana e natureza divina, não é só nele, mas todo o criado é tocado pela união hipostática, a comunicação de Deus em Jesus Cristo não foi só aquilo que Jesus falou, mas pela própria encarnação tudo no mundo foi tocado de novo pela Palavra de Deus. Deus entra na nossa história, Deus rasga o véu, abre o céu, Deus entra na história dos homens, na nossa realidade. A Palavra de Deus se faz carne "e o verbo se fez carne". Tem um padre da Igreja, Irineu de Lião que diz: "O ponto mais importante é esse, e o Verbo se fez carne". O verbo se fez carne, ele destaca uma das realidades mais profundas, a palavra de Deus se fez carne, se fez realidade humana, palavra de Deus, aquilo que Deus fala, aquilo que Deus comunica de si mesmo se fez carne.
Deus estabelece contato plenamente como homem por meio da palavra e essa revelação de Deus vai ser confiada a nós por meio da própria Sagrada Escritura. Tudo aquilo que Jesus fez, que se submeteu, a própria Palavra de Deus, pelo poder do Espírito Santo vai ser confiada a Igreja através de dois grandes veículos que é a sagrada Tradição e a Sagrada Escritura. Então que é a Bíblia? A Bíblia é tudo aquilo que Deus vem falando até Jesus Cristo, é todo esse processo de revelação até Jesus Cristo o Espírito Santo fez com que estivesse presente na Bíblia. Então isso é a Palavra de Deus que nós conhecemos mediante a Sagrada Escritura, todo esse processo de auto revelação de Deus, Deus mostrando quem ele é aos homens que caíram no pecado, a Bíblia é Deus correndo atrás dos homens para mostrar quem ele é ao homem que já não entende tão bem a Palavra de Deus porque é um homem ferido pelo pecado, mas que em Jesus Cristo é capaz de novamente chegar ao conhecimento de Deus. Quando nós estamos diante da Bíblia nós temos que nos lembrar que estamos diante da Revelação de Deus, que em Jesus Cristo eu sou capaz de mergulhar novamente nas Sagradas Escrituras e através dela mergulhar no próprio Deus, em quem é Deus, na própria auto comunicação de Deus, naquilo que Deus fala de si mesmo.
Gregório Magno Papa do VI século diz que: "nós temos que penetrar no coração de Deus pela Palavra de Deus". Através da Palavra penetrar no próprio coração de Deus isso é possível porque o Verbo se fez carne, dá prá entender o que é a Palavra e o seu fundamento a Palavra enquanto comunicação de Deus. Quando nós falamos que a Bíblia é a Palavra de Deus nós temos que pensar nessa dimensão dinâmica, a Bíblia é a Revelação de Deus, a auto revelação de Deus que vem desde o pecado Deus vai se revelando até a plenitude até Jesus Cristo e isso foi confiado a Igreja através da sagrada Tradição e da Sagrada Escritura. A Sagrada Escritura é esse processo dinâmico que Deus se revela, não é uma letra morta, a Bíblia é a Palavra viva de Deus, nela está essa revelação divina e em Jesus Cristo eu sou capaz de através da Bíblia, mergulhando na Bíblia chegar ao conhecimento autêntico, profundo de Deus porque a Bíblia é a Palavra. A Palavra de Deus é a auto revelação de Deus, é Deus que rasga o peito para que o homem possa entrar e conhecê-lo profundamente.
Compreender a Bíblia como dinâmica, é um processo onde eu estou diante de um Deus que se revela mediante a Sagrada Escritura, a revelação divina no mistério da revelação. Qual a nossa posição diante dessa palavra? É exatamente a posição que eu estava falando no início, o silêncio. Porque é que é necessário o silêncio e, o que é o silêncio? Prá gente entender um pouco isso eu quero fazer a comparação da própria comunicação humana. Eu vou fazer uma analogia aqui, os grandes santos da Igreja diziam, principalmente os santos da Escolástica, período da Igreja: "O conhecimento de Deus é analógico", ou seja tem analogias, nós não temos como compreender a Deus diretamente, porque Deus está muito além da nossa inteligência. Nenhum homem pode explicar a Deus, ele não consegue então o que a gente faz para falar de Deus? a gente faz comparações, analogia é isso comparação. É mais falar de Deus com comparações da realidade humana sabendo que Deus está muito além dela. Mas só assim é que nós podemos compreender Deus, isso é uma grande verdade. Então prá gente entender um pouco essa dimensão o diálogo de Deus vamos entender primeiro por comparação, por analogia, o diálogo humano. Como é o diálogo humano? Tem um filósofo o nome dele é Heidegger, que tem um texto muito belo sobre a comunicação, ainda que ele tenha feito algumas coisas não muito boas, mas esse texto dele é muito interessante é muito verdadeiro e muito profundo, ele diz o seguinte: "durante uma conversa quem cala pode fazer compreender, isto é, promover mais autenticamente a compreensão do que quem nunca acaba de falar... calar, não significa, porém, ser mudo... só o verdadeiro discurso torna possível o silêncio autêntico. Para se saber calar o homem deve ter algo a dizer, deve poder contar sob uma cobertura de si mesmo, ampla e autêntica. Em tal caso, o silêncio revela e faz calar a tagarelice." Muito interessante o texto desse filósofo alemão, porque? Porque ele vem em remendo exatamente em questão do silêncio e da conversa, ele diz "quem nunca acaba de falar não promove autenticamente o diálogo". O diálogo não é você falar sempre, ele diz "o verdadeiro silêncio produz muito mais diálogo do que quem nunca acaba de falar", porque? Pela própria definição do diálogo, o que é diálogo? Diálogo é eu lançar uma palavra , a pessoa acolhe a minha palavra e lança outra palavra para mim. Diálogo é uma troca de palavra, é uma troca de discursos, diálogo, troca de discursos ou de palavras. Eu só posso dar outra palavra se eu escuto aquilo que a pessoa está falando para mim, aquilo que a pessoa está me dizendo, se não como é que eu vou falar para ela alguma coisa. Todo diálogo autenticamente, toda palavra humana que eu posso dizer ela é precedida por um silêncio. Toda palavra humana deve ser precedida por um silêncio, um silêncio que é escuta do outro no diálogo. No diálogo toda palavra deve ser precedida por um silêncio, porque senão a gente entra na confusão. Tem um textozinho em Eclesiástico (Ecle 20, 5-8) que fala sobre isso. Não tem coisa mais chata do que aquele que nunca para de falar, isso a própria experiência humana já diz. O que é um cara bem chato? É aquele que fala sem cessar, é aquele que fala sem cessar, aquele que nunca deixa de falar, aquele que oprime. Diálogo autenticamente é uma troca de conversa, se não houver troca de palavra ele é monólogo, o que é monólogo? Monólogo é eu aqui falando na frente sozinho, blá, blá, blá o tempo todo. O discurso é um monólogo, mas diálogo, é uma troca, eu tenho algo a dizer, mas eu tenho que acolher aquilo que a pessoa me diz. Todo diálogo tem um silêncio e quanto mais a pessoa sabe calar, tanto mais ela tem o que dizer. Aquele que não sabe calar, não tem o que dizer porque ele não sabe ouvir. Tem um escritor russo, Dostoiéviski cristão, escreve muito bem, ele diz que "o silêncio é sempre belo e o homem que fala é menos belo do que o homem que ouve. Então quem cala sempre é mais belo que aquele que fala. E eu sou muito inclinado a concordar com ele, aquele que sabe falar, só sabe calar se este fim promover muito mais áudio porque ele sabe escutar e escutar no nosso mundo então é cada vez mais difícil, o diálogo tem que ser um momento de silêncio. Silêncio quando eu digo não é só ausência de palavras, silêncio quer dizer escuta do outro. Não só o silêncio estério, aquele que você fica conversando com a pessoa esperando só ela respirar, quando ela respira você dá o bote. Quando ela parar para respirar você começa a falar, não é esse silêncio, é a pior coisa que existe, você está falando aqui e a pessoa tá só esperando, quando você pára ela começa, aí você fica esperando ela parar também fica aquela briga, ninguém está se escutando, aquela coisa que não chega a lugar nenhum, um fala uma coisa outro fala outra, ninguém se entende. O Silêncio aqui é o silêncio autêntico, da contemplação. Qual o silêncio da contemplação? O que é contemplar? Contemplar é olhar o outro, admirar o outro, ver o outro, é esse silêncio. O silêncio onde eu falo e a minha palavra cai, e seu falo para escutar aquilo que o outro tem a me dizer, esse é o silêncio que promove o diálogo autenticamente, e o diálogo mais profundo. É esse silêncio que na comunicação humana é tão necessário. Agora imagine isso na realidade na realidade com o próprio Deus, nós vamos transpor isso para realidade com o próprio Deus. Nos temos que silenciar temos que aprender a silenciar diante da palavra de Deus. Eu tenho que escutar, antes de ter algo para falar de Deus, eu tenho que ouvir a Deus, antes de falar de Deus eu tenho que ouvir a palavra de Deus. Antes de Ter algo a falar para Deus eu tenho que ouvir aquilo que Deus quer me falar. E esse silêncio diante da palavra é imprescindível, é necessário. Quem não quer aprender a silenciar diante da palavra de Deus. E esse silenciar não é simplesmente ficar com a boca fechada. Não, silenciar o meu ser inteiro, silenciar completamente as minhas expectativas para ouvir a palavra de Deus. É o silêncio da contemplação. Diante da palavra de Deus eu devo estar no silêncio da contemplação. Vamos para torre de Babel, o que ouve na torre de Babel? Na torre de Babel ele começaram a conversar entre si, já não escutavam mais a Deus porque eles tinham o projeto deles e só estavam interessados no projeto deles, e cada um com seu projeto que era chegar ao céu, mas o que é que acontece? Eles começam a não mais se entender entre eles, porque cada um está voltado no projeto de chegar ao céu. E ninguém mais se comunica, e aí há a confusão das línguas, segundo a Bíblia e é um texto muito interessante. Quando você não tem mais a dinâmica da escuta ocorre a confusão das línguas, quando não há um silêncio autêntico, você começa a ficar fechado no seu projeto, naquilo que você tem, aí você não consegue mais se entender, nem entender a Deus, nem aos outros. O silêncio que eu estou esse silêncio da palavra de Deus é o silêncio de colocar-se a escuta de Deus. Silenciar o meu ser diante da palavra, não só silenciar as palavras, aquilo que eu digo mas silenciar interiormente, o silêncio da contemplação. Contemplar, contemplar é eu maravilhar-me com Deus, é eu olhar para Deus, é eu voltar toda minha distância para Deus, é esse silêncio. É esse silêncio que deve resistir, que deve ser promovido no diálogo com Deus. Tem um teólogo do nosso tempo, o nome dele é Baltazar ele diz: "Nós podemos afastar Deus pela força das nossas palavras". É um texto muito interessante dele, aí ele começa a falar: você quer ver, pegue a sua oração e comece a multiplicar as palavras cada vez mais, não dê tempo para Deus falar, diga que ele é grande, que é bonito, que é maravilhoso, louco por isso, louco por aquilo, fale das duas necessidades diga que é pecado e fale, fale, fale, fale, vai passar o tempo da sua oração no final você vai falar Senhor eu tenho que ir, o que fazer? Estou penalizado por não poder ficar mais na sua presença, tchau. Você conseguiu, você passou todo o tempo da oração e enganou Deus, e Deus não pode falar nada, esse é um grande perigo, afastar Deus com a força das nossas palavras.
A autêntica oração ela tem que ser precedida pelo silêncio, é como o diálogo humano toda palavra que eu tenho pra falar com Deus deve ser precedida pelo silêncio, o silêncio da escuta, o silêncio da contemplação, eu devo primeiro ouvir aquilo que Deus tem a me dizer antes de tirar a falar e se eu tenho algo para falar, que eu fale, mas que eu também escute a Deus. Que eu não fale sem cessar multiplicando as palavras, mas que eu escute a Deus, o que Ele tem a me dizer, o que é que a palavra de Deus fala para minha vida, o que é que isso tem a ver comigo esse é o silêncio que nós devemos ter diante da Palavra esse é o silêncio que tem que ser promovido. Esse silêncio envolve um abandono pleno diante da palavra, quando eu estou diante daquilo que Deus está me falando. Esse silêncio envolve um deixar plano, deixar projeto. É eu escutar aquilo que Deus tem a dizer, é eu falar: "Senhor pode falar, agora tu sabes que eu vou viajar daqui há um mês, tu sabes que eu vou para tal canto. Pronto eu falei o que tenho a falar. ‘Senhor tu sabes que eu sou isso e isso vocês já está colocando rédeas, você vai escutar isso, você já fechou o ouvido. O silêncio que eu digo é o silêncio interior, você vai clamando as vozes do seu coração. Tantas vozes dentro de nós, a voz do mundo muitas vezes a voz do demônio que ainda ressoa no ouvido do homem. Aquela voz primitiva que ressoou no ouvido de Eva. "Deus não quer que vocês façam isso porque no dia que vocês fizerem vão ser como Deus." Essa voz continua hoje no mundo perturbando a nossa escuta de Deus, então é necessário silenciar tudo para só ouvir a Deus, o que é que Deus tem para falar. Silenciar os meus projetos, os meus planos as minhas idéias a cerca de Deus, silenciar tudo, para que Deus possa falar, para que Deus possa falar, para que Deus possa falar aquilo que é a palavra de Dele. Para que eu possa escutar a partir Dele e aí eu possa conhecer autenticamente quem é Deus. E esse é um silêncio importantíssimo diante da Bíblia. São Jerônimo tem uma frase que diz assim: "Quem não conhece a Bíblia não conhece Jesus Cristo, a ignorância a Escrituras é a ignorância a Jesus Cristo." Isso é uma grande verdade. Agora não vamos ter o engano a achar que essa ignorância da Bíblia agora, então eu tenho que ler a Bíblia agora, então eu tenho que ler a Bíblia de cor de Gênesis a Apocalipse sei tudo, os versículos de cor todos, já conheço Jesus Cristo. Não é isso que o santo está falando, ele está falando de outro conhecimento. Tem um texto de Jerônimo, uma carta, que ele escreve a Eustáquia uma grande discípula dele, nessa carta que ele escreve ele ensina para ela como ler a Bíblia. Diz o seguinte: "Mantende sempre o mistério da vossa alcova, a fim de que o Esposo possa estar à vontade convosco. Quando rezais estais a falar com ele. Se estais a ler é ele que fala convosco. E quando chegar o sono Ele virá por trás do muro, passará a mão pela fresta da porta e pousá-la-á sobre a vossa fronte. Vós levantar-vos-eis e, agitada, dir-lhe-eis: Estou ferido de amor. E Ele dirá por sua vez: Minha irmã, minha esposa, vós sois um jardim cerrado, uma fonte privada".
É interessante nesse conselho de Jerônimo o que ele está dizendo. Que relação com a Bíblia deve ser diálogo, Ele tá comparando a relação do esposo do cântico. Ele tá dizendo quando você reza você fala, mas quando você lê você escuta, e escutar nesse sentido, uma escuta plena. Mantenha segundo do seu quarto, quando você for rezar mantenha segundo, sigilo do seu quarto. O que é o segredo do seu quarto? O que Jesus diz: "Quando foi rezar tranque a porta, ocultar-se busca silencia, busca fugir do barulho mundo, do barulho das coisas busca unicamente estar com Deus, este é o conselho de Jerônimo na Eustáquia.
Para se ter uma verdadeira escuta da palavra de Deus se retira para o silêncio da sua alcova, para o seu quarto, para o seu quarto de oração, para o silêncio da sua sela, foge do barulho do mundo, é onde vai ficar você e Deus e lá fala para Deus em oração mas escuta pela leitura da Bíblia, escuta, ler a Bíblia é escutar o que Deus tem para falar, não é eu falar alguma coisa, mas eu escutar aquilo que a Bíblia quer me dizer, ouvir a palavra de Deus. Chegar a uma escuta, o que é que isso quer dizer para minha vida, o que é que Deus está falando totalmente aberto e desarmado no silêncio. Deixar que Deus fale livremente, sem condicionar Deus, você pode falar isso, aquilo outro, silêncio completo. "Fala, fala pra que eu escute." Nós temos um grande exemplo disso, Maria. Ela é o exemplo perfeito de silêncio diante da palavra de Deus. Vamos pegar o texto da anunciação, todos sabem mais ou menos de cor. Imagina aquela jovem que está lá, aí aparece o anjo, aí o anjo diz vai nascer uma criança do teu seio por obra e graça do Espírito Santo. E o anjo revela para ela coisas grandiosas, o que é que ela diz? Não, primeiro o anjo diz vai nascer uma criança e em vez dela dizer mais e José? E a lei? Ela pergunta como se dará isso? Eu acho muito interessante essa pergunta de Maria. Sua atenção está unicamente voltada para a mensagem do anjo, para a escuta da palavra. Como é que eu vou viver esse mistério? Ela sabe que tudo aquilo em redor dela vai desmoronar, mas ela está totalmente voltada para a palavra de Deus. Aí o anjo explica para ela e ela diz o " Fiat", o " Faça-se". Maria não está perturbada com os barulhos exteriores, como vai ser a vida dela o que vai acontecer, José, vai ser apedrejada, ela está totalmente voltada para a escuta da palavra vai guardar no coração. Durante toda a vida, Lucas vai dizer que Maria quando não entende guarda no coração. Ela é toda silêncio, a palavra de Deus pode ecoar livremente no interior dela ela é toda silêncio e acolhimento silêncio de atenção de atenção ao Deus que fala. "Como se dará isso? O que é? Eis aqui a escrava do Senhor faça-se em mim segundo a sua palavra." Ela é toda voltada para a palavra de Deus, ela não põem obstáculos para a palavra de Deus, ela não está perdida com vários barulhos do mundo. O seio dela é silêncio diante da palavra de Deus. Esse silêncio de deixar-se trabalhar pela palavra de Deus, de escutá-la autenticamente, é que nós temos que ter diante da Palavra de Deus. diante da nossa leitura da Bíblia, esse silêncio de quem tem algo a falar, mas, sabe que precisa escutar. Antes de ter algo a dizer para Deus, necessita ouvir de Deus aquilo que Deus deseja realizar na nossa vida. Antes de explicar para Deus os nossos problemas que, Deus já sabe, pergunta: "Senhor como eu devo dizer essa palavra me explica a tua palavra, me diz o que é, revela-me o segredo da tua palavra desse teu mistério? Como Maria, Maria silenciosa, porque ela silencia os problemas, silencia as dificuldades e a sua atenção é a mensagem de Deus, é em toda a palavra de Deus e, como se dará isso. "Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a sua palavra". É esse silêncio que a gente deve buscar diante da palavra, esse silêncio de acolhimento.
Tem um texto da Dei Verbum N° 24 e 25, que diz: "Todo ensino religioso, toda a formação ela deve nascer da palavra de Deus. João Paulo II diz que: "toda teologia da Igreja nasce da Palavra de Deus.
A função de professor tem que ser de alguém que, nasce da palavra, a fé ela nasce da palavra de Deus, eu vou ter que ser ouvinte da Palavra em primeiro lugar. Nós não somos conhecedores de fórmulas doutrinárias, nós temos que ser conhecedores da Palavra de Deus, porque conhecedores da Palavra de Deus, porque tudo que nós cremos está na Palavra. A palavra é a auto revelação divina, é Deus que se revela pela Palavra. Se eu vou dar uma aula onde eu vou apresentar quem é Deus, a base de tudo é a palavra de Deus. Toda a nossa vida se baseia na Palavra de Deus. Então em primeiro lugar você tem que ser ouvinte da Palavra. Ouvintes nesse sentido, ouvintes no silêncio.
Que tudo, tudo, tudo, que for falar em sala de aula deve se perguntar: "É a Palavra de Deus?" Você deve notar que toda aula você tem que ter uma fundamentação na Palavra. Você diz: "Deus é Uno e Trino." Aí você bota lá o versículozinho, porque? Porque tudo nasce da Palavra. Então vocês têm que ser ouvintes da Palavra, e grandes ouvintes, conhecedores nesse sentido.
Quando nós falamos de conhecedores da Palavra o pessoal pensa que é para saber de cor os textos, não é por aí não. Ouvintes. Tem que ter intimidade com a Palavra de Deus, intimidade, aquele ouvido atento, aquele silêncio interior onde a Palavra de Deus tem onde repousar. Isso vocês tem que ter em primeiro lugar, intimidade com a Palavra de Deus, ser íntimo da Palavra. A gente só é íntimo da Palavra, a gente só conhece Deus dessa forma, quando a gente ouve. Esse teólogo, o Baltazar, diz algo muito interessante: "o teólogo, antes de ser alguém que fala, é alguém que escuta a Palavra". Porque? Porque o teólogo fala de Deus, mas falar de Deus é impossível! Deus já está muito além da inteligência humana, como é que eu vou falar de Deus se ele está muito além da minha inteligência, aí ele diz: "escutando aquilo que Deus fala dele mesmo para que você possa repetir." Não tem como a gente falar de Deus só através da nossa inteligência, porque ela é muito limitada. Então eu vou falar daquilo que eu escuto. Então diz o Baltazar: "antes de ser alguém que fala de Deus ele tem que ser alguém que escuta a Deus." E aí escutando ele tem o que dizer. Então na aula antes de serem professores que irão falar de Deus, têm que ser professores que escutam a Palavra de Deus, e aí falam daquilo que escutam, escuta no sentido pleno, no sentido da Palavra descer no coração da palavra poder ressoar no interior e escuta da palavra só é autêntica quando há silêncio da contemplação. Por isso que em nosso estudo bíblico nós temos que contemplar. A lectio divina é o quê? É uma caminhada para a contemplação da Palavra. Ir além do que está escrito e chegar ao próprio Jesus Cristo. Ir além da letra e chegar a pessoa do verbo. Isso é graça e o Espírito Santo que faz, da nossa parte é se colocar em silêncio para que Deus possa falar em nossos coração. Silenciando as várias vozes. Enquanto a gente não vai silenciando as várias vozes que existe dentro de nós, o perigo é eu pegar a Palavra de Deus e em vez de escutar eu tenho algo a dizer para Deus, esse é o maior perigo que existe. Eu estava na minha aula de quarta-feira, no curso que eu estou dando, e partilhava com o pessoal que as pessoas são capazes de tudo, ou melhor, na Reciclagem, eu estava partilhando com as pessoas que estão fazendo Reciclagem. Hoje em dia as pessoas são capazes de tudo, se você for olhar até na história da Igreja os hereges fundamentavam suas heresias na escritura, porque? Porque eles não ouviam a Palavra eles diziam o que eles achavam da Palavra. Uma vez eu estava assistindo televisão, agora por esses dias, e tinha lá um indivíduo que ele estava querendo fundamentar (agora imagine bem) uma vida totalmente promíscua com direito a tudo, dizia: "pode haver troca de casais, pode haver festa chegar lá cada um fica com tudo mundo, aquela coisa, e ele estava tentando provar isso através da Bíblia. É uma coisa bem louca, mas ele estava tentando. Tem doido que consegue fazer umas coisas aí, que eu olho assim e, meu Deus, como é que uma pessoa está enxergando isso na Bíblia. Não tem nada do que ele está dizendo, porque? Porque não escuta a Palavra. Mas pode acontecer também de cometer erros mais delicados, erros mais simples. Quando eu não escuto Palavra, e a Palavra já não tem o que me falar porque sou eu que estou dizendo algo, sou eu que digo como é Deus, o que é que Deus está falando, em vez de está ouvindo a Palavra de Deus eu vou estar ouvindo a mim mesmo. Por isso é que a gente tem que ir silenciando as nossas vozes.
Os grandes hereges começam assim: todos olham para eles com admiração porque eles são grandes, inteligentes, grandes teólogos, aí chega um ponto em que eles pegam o atalho, o orgulho sobe...
O grande fundo da heresia é o orgulho, ela nasce muito pelo orgulho aquilo que acha. Porque errar é uma coisa, mas se você errar o que acontece? O herege começa errando mas ele não tem mais a coragem de voltar atrás, ele não silencia a sua opinião, ele afirma aquilo que ele errou. Muitos santos até erram na história da Igreja falaram coisas erradas, mas eles souberam ser humildes. Silenciar diante de Deus e a verdade se impõe, porque a Palavra de Deus vai se impondo e o próprio Deus vai nos ensinando como vai ensinar os homens até o final dos tempos. Mas o problema do orgulho, o problema da heresia é que a pessoa se fecha naquilo que ela acha e aí ela se pega naquele ponto que ela acha e não tem coragem de abrir mão as vezes e aí cai na heresia. (se não voltar atrás se torna). Porque a pessoa errar é normal todos nós podemos errar, agora se apegar como aquilo fosse verdade, aí começa a ensinar, começa a propagar cada vez.
Ele perguntou o caso do Leonardo Boff. Leonardo Boff nunca falou uma heresia, nunca disse uma heresia até hoje. Já disse um bocado de coisa muito estranha.
- E Paulo Coelho? – Paulo coelho não é católico. – Mas ele tá falando muita coisa – mas ele não é católico, para ser herege tem que ser católico, ele não é, ele é bruxo. Ele pode falar o que ele quiser, aí é liberdade de expressão. Agora se ele for católico e falar aí vai ser uma heresia, entende? Heresia é o que? É o desvio de uma verdade de fé, você pegar uma verdade de fé católica e desviar aí você cai numa heresia.
O Leonardo Boff não é uma heresia mas nós podemos ver o que o Leonardo Boff foi orgulhoso, porque? Porque ele afirmou algo, a Igreja disse "silencia", aí ele não silenciou, aí começa todo o atrito. Aí ele começa a achar que o que ele pensou era verdade e que todo mundo estava errado, aí daí começou o problema. Ele achou que o celibato não tinha mais razão de ser e deixou de ser celibatário, aí vivia com a mulher do amigo aí começou todo o orgulho começa a degenerar. Aí tem uma música: "pecado, pecadinho, pecadão". É assim que acontece mesmo, ele começa pequeno vai aumentando, até chegar...
Então nós temos que Ter essa posição de escuta que faz abaixar o orgulho, porque toda pessoa orgulhosa não gosta de escutar.
Palavra é o que? Ela é dinâmica, ela não é letra morta, é dinâmica, é processo de revelação, é eu ir na volta, ir no texto para encontrar a pessoa de Jesus Cristo, ir além. Santo Agostinho ele diz que quando ele conheceu a Bíblia ele teve um grande problema, ele diz que a Bíblia era de uma linguagem muito simples e ele disse que a inteligência dele repugnara aquela linguagem simples da Bíblia, mas por outro lado não conhecia nem conseguia penetrar nos seus mistérios. Aí ele diz, a Bíblia foi um livro escrito para crescer com a gente, ela não se revela as simplórios, mas também não se abre aos orgulhosos. Simplórios seriam aqueles que: "ah, eu sou tão pequenininho Deus, bota aqui na minha mão, de mão beijada, ficam sentados esperando, não querem suar a camisa. "Eu sou o santo humilde, vou ficar sentado e Deus vai abrir minha inteligência e vai fazer eu entender tudo da noite para o dia, esse é simplório, isso não é santidade, isso é preguiça. Santidade é você se esforçar, é você usar aquilo que você tem na busca de Deus, se tem pouco glória a Deus, se tem muito glória a Deus, é buscar a Deus com todas as suas forças. Agostinho diz, a Bíblia é um livro para crescer com a gente, para ir crescendo. Se você for muito orgulhoso, quebra a cara, a gente tem ir silenciando e ir compreendendo a Bíblia devagarinho, no silêncio, deixando Deus falar e a cada dia Deus vai falando mais, é pra crescer com a gente. A medida que eu vou crescendo ela vai crescendo junto comigo e eu tenho que crescer no meu silêncio para que a minha escuta seja cada vez mais frutuosa, e quanto mais eu cresço no silêncio tanto mais eu escuto melhor a Palavra de Deus. Quanto mais eu vou aprendendo a silenciar, tanto mais o mundo vai calando, agora isso não é da noite para o dia, tu fez e pronto "agora eu vou chegar, vou entrar, vou me sentar, trancar o quarto, vai ser o silencioso." Vai nada, quando você fecha os olhos vem um bocado de barulho na nossa cabeça, a conta da luz, a conta da água, o leite das crianças, vem tudo de uma só vez. É um processo, a gente tem que se educar a silenciar, ou seja educar a ouvir a Palavra de Deus sem os nossos preconceitos, sem as nossas idéias já preconcebidas de Deus, idéias preconcebidas da verdade, a gente vai se abrindo, silêncio também é profético. Da mesma forma como no diálogo humano a gente vai aprendendo a conversar. Quando tem aquele amigo que chega num ponto tal olha para o lado e já sabe quem tá falando, não tem aquela amizade que é assim , olha para o lado e já sabe que ele está de mal humor ou de bom humor. Aquela amizade que chega num pontal do diálogo que vocês já se entende até numa simples troca de olhar. Com Deus é a mesma coisa, a gente vai crescendo no diálogo, até chegar num ponto tal, não precisa nem falar, tu olhou nos olhos de Deus já sei o que ele está pensando, sabe mas isso é lá na frente, hoje em dia é devagarinho, eu vou aprendendo a silenciar dia após dia, eu tenho que exercitar o meu silêncio diante da Palavra lembrando sempre: "A palavra é um processo dinâmico", ela é comunicação de Deus. A palavra não é um livro escrito para dizer como é que Deus funciona, isso aqui é comunicação de Deus é muito diferente. A Bíblia não é didática, parada, pronto tá aqui parada, não! Ela é dinâmica, quando eu estou lendo a Bíblia na realidade eu estou conversando com Deus, ela é comunicação de Deus. Como São Jerônimo para Eustáquia, "Entre no seu quarto feche a porta, entretém com o esposo, quando você fala, quando você reza você fala pra ele", é comunicação, é dinâmica, Deus estar falando hoje e agora através da Bíblia por isso que é importante o silêncio e a escuta.
